o cão eu e os livros

não pode ser razoável, nem perfeito, sou eu nesta escolha, jeito. importância enviesada, esquisitices assumidas.

a comida, a minha.

festividade com a xícara do café, garganta dolorida, massacrada de tanto falar e dizer quando a voz alcança… dorme numa hora, revira na outra. calçada no meio da noite, janela escancarada, leite e resfriado.

pode não ser a gripe, nem a droga deste adoecer inquieto, confissão:

envelhecer neste costume, jeito de ser um, uma…

cheia de medo, envelhecer.

talvez eu termine de arrumar, tirar o aspirador da sala, os panos do sofá. receber uma visita, talvez, possa ser acontecimento com chá e biscoitos. agora, hoje, não tenho cadeira para oferecer. alguém chega, fico errada: camisola, pés descalços, cabelo esvoaçado, louça empilhada na pia. camas desfeitas. ocupo os dois quartos, na madrugada vou assistir televisão na cama grande ou esparrar uma leitura engrenada, beber um chá. não exatamente selvagem, nem antissocial, mas esquisita vida de uma escolha certa: sou uma. Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2023 – Torres / RS

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