desejo de permanência

incitado desejo de permanência

I

Cabelos crespos. Dedos finos, pernas arqueadas, e mãos fortes. Espiar, confirmar e aquietar poderia ser uma meta, ou o resultado. Tirou a roupa para se ver/olhar no espelho oval atrás da porta. Depois colocou o chapéu azul com a fita branca e o cabelo se movimentou nas costas. O lenço estampado, colorido, amarrou na cintura: as pontas com dois apertados nós se balançaram no umbigo. Calçou os sapatos de verniz e girou o corpo.

Nunca seria bonita, ou mais bonita, ou satisfatoriamente bonita. Era como era… Aceitar. Era mulher, não era homem, mas trabalhava tanto e ameaçadoramente rápido, rápido demais: produzia. As hortênsias, as rosas, e as margaridas explodiam no jardim. Do forno da cozinha, o perfume / o cheiro / o gosto dos assados atraiam, podia vender muito em uma semana. Ganhava fregueses e gosto porque o fazer se fazia.

Apesar de já ter passado os vinte e cinco anos não pensava em casar, nem deixar de ser ela com ela mesma. Talvez tivesse um filho, talvez, mas não planejava. E gostava de ter Francisco por perto, mas não tão perto assim… As amigas, tinha duas, palpitavam. E os pais arejavam ideias, mas, ocupados, não interferiam. Ela morava no pavilhão dos fundos da casa dos tios, pagava um módico aluguel, mantinha a horta e cuidava dos pessegueiros além das flores. Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2023 – As guerras se contaminam, explodem e se espalham… Enquanto escrevo imagino que pensas em mim, imagino, ou desejo. Decido. Vou escrever.

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