
“Porque é que o tempo duma duma revolução daria brilho às artes e às letras? O desencadeador da violência armada casa mal com o cuidado de enriquecer um domínio de que só a paz assegura o usufruir. Os jornais encarregam-se então de dar a sua figura ao destino do homem: é a própria cidade, não os heróis das tragédias e dos romances, que dá ao espírito esse estremecimento que geralmente nos provocam as figuras imaginárias. Uma visão imediata da vida é pobre, comparada aquela que a reflexão e arte do historiador elaboram. Mas se acontece o mesmo com o amor, que encontra a sua verdade inteligível na memória (se bem que a maior parte do tempo o amor dos heróis míticos tem para nós mais verdade que os nossos ), diremos nós que o tempo de conflagração, mesmo quando o pouco despertar da nossa consciência o oculta, não nos absorve inteiramente? Também o tempo da revolta é em princípio desfavorável à eclosão das letras.” (p.126) George Bataille A literatura e o mal

