
por que nunca me livro do passado? ele cai sobre o presente como um cadáver de um gigante. como se um gigante moço fosse obrigado a carregar o corpo de um avô gigante que somente precisa ser enterrado decentemente. pensando um pouco acho que somos escravos do passado e da morte. desafio o equilíbrio… desafio o dia, a poeira, a ideia de seguir em frente, desafio a saúde e os afetos… e as histórias se encadeiam, a corrente é pesada, na verdade, não tem nenhuma importância o antes / ou o como foi, importa seguir…mas há um gosto esquisito, os erros cometidos podem ser remediados? mas como entender o erro se era o ar / a vida. a ação é saudável, fazer, fazer pelo prazer de fazer, miraculosa força da ignorância! há sempre uma enorme confusão quando o espírito foge do momento presente e se arrasta pelos porões querendo entender, entender, exatamente o quê? a alma precisa de ar: os solitários se apegam aos superficiais. a gente guarda um certo orgulho das deficiências como das qualidades. por quê? porque quero me justificar. Elizabeth M. B. Mattos – dezembro de 2023 – Torres