MORTE

“A morte após uma longa doença é algo que podemos aceitar com resignação. Mesmo a morte acidental podemos atribuir ao destino. Mas um homem morrer sem nenhuma causa aparente, um homem morrer porque é um homem, nos leva para tão perto da fronteira invisível entre a vida e a morte que não sabemos mais de que lado estamos. A vida se transforma em morte e é como se essa morte tivesse possuído essa vida o tempo todo. Morte sem aviso. Em outras palavras: a vida pára. E pode parar a qualquer momento!” (p.11) Paul Auster A invenção da solidão

Faço uma caça ao amor / ao estado de viver, respirar… Eu me volto para o solto, o possível, talvez o inesperado. Aquele que estende a mão, e sorri: delícia do momento… Difícil explicar. O vício de espiar, de sentir chuva no respingo: catar palavra, prestar atenção! Não. O mundo não era meu, para mim, mas existia: o olhar apreende… Agora, tudo é meu. Amo no outro o invisível… Afinal, amo aquilo que imagino ser fantástico: olhos azuis, gentileza, as mãos que sabem acariciar, a disponibilidade, aquela aventura, tua voz que chega de tão longe! No final, amo a minha solidão, o meu jeito de ser, o narciso na Lagoa do Violão. A tal solidão… A tal quietude! O tempo necessário para dançar a música que apenas eu escuto: o texto / o verso, o pecado, o meu. Representar o que por tantos e tantos anos ensaiei ser. A beleza brota. Constatar o prazer e o gozo, agarrar o sorriso, então, o tudo – sou feliz. Alívio! Esta quietude interna transborda. A leveza causa estranheza… A inteligência do agora salta e se instala, e eu sou eu, agora, neste tempo que prendo / agarro / tenho nas minhas mãos: o melhor. O outro, o passante, o que existiu se reduz no beijo, na memória do gesto, das gentilezas, e, num susto…Já não é mais. Não tenho certeza do tamanho do amor. Nem da paixão. Ficou o gozo… A verdade. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2024 – com lua e tudo muito quieto, muito quieto dentro deste calor que se despede (dizem que o temporal chega e o frio – será?), vem mesmo a tempestade Ainda não chegou, mas vem outro amor, também atrasado, mas vem /chega com a certeza. Teu olhar castanho que me envolve… Tua ternura. Obrigada. Torres

Uma coisa complicada de aceitar apesar de todas as tentativas lógicas e facilidades dos tempos é envelhecer / uma pílula, a cada dia, ufa! Junto um abraço e a tua voz -, mas te confesso, é uma droga!

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