dizer a verdade já é uma mentira grande demais

Como será que posso chegar a explicar esta coisa / pessoa estranha que me nomeio? Dou nome ao que penso e sou coloridos diferentes. Ainda choro se lembro que Bambi perdeu a mãe numa fuga dentro do medo: “corre, corre, não olhes pra trás..” gritou a mãe e ele correu…Voltou a vontade de chorar. Abro um livro pra me distrair do sentimento… Descrever o que eu sinto / o que eu desejo ao te desejar, ou sonhar seria ser feliz agora. Mas, te desejar, definir quem sou / caiu em um ensaio de Virgínia Woolf: “Há em primeiro lugar, a dificuldade de expressão. Entregamo-nos, todos, ao estranho e agradável processo que chamamos pensar, mas quando se trata de dizer, mesmo a alguém que esteja à nossa frente, aquilo que pensamos, quão pouco, então, somos capazes de transmitir! ” (p.14) O sol e o peixe

Dizer a verdade sobre si mesmo, descobrir a si mesmo de tão perto, não é coisa fácil.

Sugestão de sempre, intimidade com Virgínia Woolf /esquisitices de ler e depois escrever, não resisto as citações, e lá vou mergulhar em uma citação de Montaigne / Ensaios sobre este dizer a verdade de si mesmo: “Não temos notícias senão de dois ou três dos antigos que trilharam esse caminho […]. Ninguém, desde então, seguiu as suas pegadas. É um empreendimento espinhoso, e mais do que parece, esse de perseguir um passo tão caprichoso quanto o de nosso espírito; de penetrar as profundezas opacas de suas dobras internas, de selecionar e fixar tal quantidade dos mínimos aspectos de suas agitações. E é uma distração nova e extraordinária, que nos tira das obrigações ordinárias do mundo: sim, e das mais recomendáveis […]”

Empreendimento espinhoso / eu diria, uma armadinha / e, simultaneamente, uma salvação. Ao tentar contar / mostrar / descrever ou sei lá como explicar, o motivo pelo qual o arroz com ovos fritos e a salada foi deleite, mas descascar o abacaxi penoso…, não sei explicar. Deixar o tempo sair de dentro de mim como as torrentes de chuva grossa… e, assim se alterar com sol… É complicado ser feliz! Há uma suprema dificuldade de ser aquilo que sou / ou me imagino ser. Inquieta, fico a me mudar do Rio de Janeiro, para Recife, de Porto Alegre para Torres, ou inverso. Uma roda inquieta de lugares, de estar eu dentro de mim mesma. E ou, trocar os móveis de lugar. Comer bifes com batas fritas, mas bem que gostaria de um linguado e batatas coradas. Uma taça de vinho branco. Ou apenas pão com manteiga, geleia de damasco, e cerejas… Sei lá. A tarde derramada de luz mas já é quase entardecer! Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres

A mentira pode ser uma máscara ou estar mesmo fantasiada de verdade. Como, afinal, eu acredito? Guerra ou paz? Omitir ou discursar? Uaiii! Difícil! Assistir televisão difícil complicou. Uaiii! Que confusão!

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