saudade é pedaço sentido de amor. do amor que sinto por ti. recomeçou a chover. chove forte. decidida, pesada. não está entrando pelas frestas, molhando dentro de casa. ela cai forte no telhado… acorda o mundo. a passarinhada deve estar bem quieta, os filhotes aquecidos. queria te contar que comprei bons abacaxis na feira, milho e tomatinhos… boa caminhada. mas estou bem no tempo de fazer artes… vendo um filme turco todo charmoso… esqueci as cascas no fogo, sim, eu ia fazer “um chá de abacaxi” como disse o neto… o silêncio da casa e a chuva forte. troco de cama, reviro nas cobertas, abraço os travesseiros, fico a pensar no que fazer, no que comer, no que ler ou escrever… tudo recheado de ansiedade. como posso te explicar, meu amado? sinto saudade do abraço, dos sussurros, achas bobagem? somos velhos? não, meu querido, não somos, ainda temos um ao outro e todas as nossas pequenas possibilidades sussurrantes. estou te esperando com saudade, quero dizer, com desejo. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres
Enquanto te escrevo a passarinhada se pôs a gritar… Acho que os dias amanhecem mais cedo… Alvoroço! Pensei que seria apenas eu a sussurrar… Meu nariz tá gelado, estou com as meias de lã. A temperatura do meu corpo, estranha… Sinto a cabeça. Não podes acreditar que esqueci de comprar leite, e também as bananas… Combinei com Luiza que logo irei para Pernambuco. Será que vamos discutir muito ela e eu? Em que janela eu gostaria de me acordar? Que tempo será este, de outra vez, mudar de casa? Os passarinhos aquietaram, também vou tentar voltar para o ninho
