meu querido: serás sempre o meu querido amado. eu te escrevo aflita, desnorteada. não sei como te encontrar. estás entre a chegada e a saída num lugar qualquer / não sei. estás no ritmo do teu coração, teu caminho… não comigo. aonde estás? não sei. sigo escrevendo para o antigo endereço, mas as cartas voltaram… por quê? sim, insisto e te pergunto, por quê? entre nós dois deve haver uma serpente, um gato? um susto? uma passarinhada nervosa… aonde estás, meu querido? abri os livros, li poemas, desenhei uma rota, de fuga, de amor… tuas palavras carregam esperança na minha desesperança… assim mesmo desanimada eu te digo, reafirmo, eu amo. mandaste um sopro, não chegou… senti perdas, dores, ausência. explica melhor o caminho. teremos, tu e eu, um caminho? parou de chover, parou de ventar, parou de chegar tanta gente, parou o mundo. aquela história, deixa eu descer e te encontrar… passou tanto tempo, tanto passar… será que ainda vamos, nós dois, sentir gosto de beijo no abraço? Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2026 – Torres (estou te esperando)
