“Ao contrário da leitura das páginas escritas, a leitura que os amantes fazem de seus corpos (essa concentração de corpo e mente de que os amantes se valem para ir juntos para a cama) não é linear. Começa de um ponto qualquer, salta, repete-se, retrocede, insiste, ramifica-se em mensagens simultâneas e divergentes, torna a convergir, enfrenta momentos de tédio, vira a página, retoma o percurso dirigido na medida em que tende a um clímax, e, em vista desse objetivo, preparam-se as frases rítmicas, as escansões, as ocorrências de motivos. Mas será o clímax o verdadeiro alvo? Ou a corrida para esse fim não será antes contrariada por outro impulso que se esforça contra a corrente para retardar os instantes, para recuperar o tempo?
A improvisação confusa do primeiro encontro, já já se pode ler o possível futuro de um convivência Hoje vocês são cada um o objeto de leitura do outo, cada um lê no outro sua história não escrita.”(p.160) ÍTALO CALVINO
Se eu fosse viajante, sem endereço fixo, sem amor, sem paciência nem sorriso… se eu fosse viajante teríamos, tu e eu nos encontrado? teria visto teu corpo magro, teus olhos azuis… teria corrido para teus braços? Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2025
