sim, a coisa toda, meu querido, é fechar a porta. pelas frestas a gente escuta coisas distorcidas. não é fala, mas ruído. como a gente faz quando pensa desagradáveis de dia e dorme pesadelos. uma imagem, uma voz. nós costuramos o boneco. depois furamos os olhos, bruxas fazem assim, e amaldiçoam… rogam pragas. não foi nada pessoal, um detalhe incomodou. não era pessoal, mas eu agarrei como se fosse… então, não posso contar a história porque o desgosto cresceu maior, aquele que se transforma em rancor, em qualquer coisa esquisita que não lembra mais o bom, o gentil, apenas aquela percepção ruim do outro. conversar tem estas arestas… as boas conversas não terminam, quando alguém conta uma história, a pessoa ouve, intrigada, a provocar a ideia, então, veste o boneco de pano com os trapos possíveis. assim a menina do borralho virou Cinderela e dançou com o Príncipe uma noite… mas, estes contos de princesas e príncipes são perfeitas e para sempre… porque nasceram príncipes e princesas, não foi conquista, é da natureza real. transformações existem, feitiços existem, mas a natureza do elemento mágico SEMPRE esteve lá… às vezes, meu querido, esquecemos quem somos e nos impressionamos com o poder passageiro do ambicioso… daqueles que pretendem entrar no reino. estas histórias precisariam ser contadas, reescritas outras vezes, predatoriamente perfeitas, não achas? pensa. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres
se a gente pensasse mais na própria raízes… veria o tronco, as folhas e os frutos na perspectiva certa: pais e as mães são raízes… a inteligência, sensibilidade e até a beleza chegam das raízes, o mau caráter, a ambição desmedida, a preguiça, o deslumbramento inútil, também… as histórias da vida, são mesmo os contos de fada, meritórios.
