LEON TROTSKY

Minha infância não conheceu fome nem frio. Quando nasci, a família dos meus pais possuía uma certa abastança. Mas era o bem estar-rigoroso da gente que sai da indigência para se elevar e não tem nenhuma vontade de parar no meio do caminho. Todos os músculos eram tendidos, todas as ideias dirigidas no sentido do trabalho e da acumulação. Neste gênero de existência, o lugar reservado às crianças era mais que modesto. Não conhecíamos a necessidade, mas também não conhecemos tampouco as larguezas de vida, nem os seus carinhos. A infância não foi para mim uma clareira ensolarada como para uma minoria ínfima; também não foi a caverna da fome, dos maus tratos e dos insultos, como acontece a muitos, como acontece à maioria. Foi uma infância cinzenta, numa família pequeno-burguesa, na aldeia, num canto perdido, onde a natureza é larga, mas os costumes, as opiniões, os interesses são estreitos, mesquinhos. (p.17) Leon Trotsky Minha Vida Editora Paz e Terra – 1969

estas coisas da infância são os pés de barro da diferença / dos sonhos miúdos e das grandes vitórias porque tecem quem somos: as urgências, as metas, as carências e visam o tal sucesso… a tal meta, a tal vontade, o tal caminho que vai mesmo fazer a diferença. medem os beijos que não damos, as propostas que nos envolvem, os escondidos das nossas escolhas, mitigam felicidade e alegria, e se agarram nas balas de goma ou nas barras de chocolate com que nos lambuzamos, nos fazem crianças espertas ou distraídas. ah! esta habilidade de entender a infância e plantar margaridas! Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

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