
do tempo que moramos em Rio Pardo, na fazenda Santa Branca:

acumulávamos beleza, nós dois.

e desenterramos (porque tanto Jorge como eu, éramos de natureza alegre) toda a alegria possível…. acreditávamos em nós dois. teríamos atravessado o mundo e embarcado para a colonizar a lua se fosse vontade de Elon Musk e ele nos designasse passageiros…

Torres nos acolheria sempre que fosse possível enfrentar a estrada e a paz… assim, Jorge e eu, colorimos os dias, e aceitamos a rota: viver
não sou mais aquela moça da foto, ah! cabelos brancos, experiências empilhadas. humor esquisito, sim, no mínimo desorganizado, nada festivo. mas posso contar estórias, escutar as tuas // neste momento de ouvir preciso me concentrar, é verdade: não palpitar ou ‘achar isso ou aquilo’. tenho tendência horrível de não escutar até o fim, interferir e achar azul, rosa, verde ou roxo, e ainda desfolhar a história, sentir os cheiros… adoro banheiras com pétalas de rosa, água morna… sou dispersiva / eu me atravesso nas minhas próprias fantasias e o mundo se descasca como uma romã? ou como um pêssego? sou visual também… desleixo? só aceito o meu. o teu, eu vou pontuando e polindo e atucanando… mereço uma voz a me escutar? (desculpa meu querido) quantas latinhas de coca-cola, abacaxi? gosto. gosto dos cheiros e do vento. vou me aquietar. talvez eu não mereça nenhum beijo furtivo, muito menos um homem jovem como a mulher de Omar Sharif imagina / mas concordo com ela, a juventude tem perfume. e, a gente sempre quer… Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres
