Se bem que nem o diabo sabe o que é que as pessoas lembram, nem por quê. Na realidade, sempre pensei que não existe memória coletiva, o que talvez seja uma forma de defesa da espécie humana. A frase “todo o tempo passado foi melhor” não indica que antes acontecesse menos coisas ruins, mas que felizmente – as pessoas as lançam no esquecimento. Evidentemente, semelhante frase não tem validade universal; eu, por exemplo, caracterizo-me por lembrar perfeitamente os fatos ruins e, assim, quase poderia dizer que “todo tempo passado foi pior”, se não fosse o presente parecer-me tão horrível quanto o passado; lembro-me de tantas calamidades, de tantos rostos cínicos e cruéis, de tantas más ações, que a memória é para mim como a tormentosa luz que ilumina um sórdido museu da vergonha. (p.7) Ernesto Sábato O túnel
assim começa este genial livro deste genial escritor e pensador. eu, modestamente, acho que existe memória coletiva, um lado onde estamos todos querendo, diariamente, sair. atualmente é sair da cama a dificuldade, mas ficar na cama também é ruim ou pior. pensar, difícil, não pensar vazio maior. tomar pílulas para melhorar, não tomar, parece mais idiota. namorar é bom, mas não ter namorado liberta. volto ao vento, ao caminhar, aos morangos, água gelada, café ou chá? nota baixa para os dois, adoro a coca-cola, e vidros limpos. mas o que vou dizer? os vidros estão terrivelmente sujos. seguindo Sábato: Pensem o que quiserem: não ligo a mínima para a opinião e a justiça dos homens.(p.9) e os vidros seguem sujos.
por que é mesmo que as pessoas leem? não tenho ideia. por que não leem? para fugir da palavra, eu acho. por isso não escrevem, para não se encontrarem com as palavras, não se trata de destinatário… mas da tal fuga eterna. do quê? de nós mesmos. aquele bicho papão que nos assombra: o EU. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres
