transparente ou invisível

a gente quer ser tanto como o outro, ter o que o outro tem, parecer -se com o outro, ser mais do que o outro, entristecer por causa do outro. comer o que o outro come. vestir a moda, pentear-se como o outro, amorenar-se ao sol como diz a saúde e a medicina. o dinheiro faz bem isso tudo. os mesmos jardins, os mesmos envidraçados, as mesmas casas lisas, suntuosas, os muros de vidro, para que tudo seja tropicalmente visto… a mesma imponência. salvam-se as flores e as árvores, eu acho, porque são feitos experimentos e mutações. (rosas azuis) e tal gosto tropical pelos coqueiros e palmeiras, o toque do dinheiro. resultado: transparente e invisível as pessoas, as moradas. desapego do passado, perfeito, e viva também o porcelanato! um hoje limpo e transparente, invisível e psicanalisado: perfeito. para todos o mesmo ócio / as mesmas magníficas contas bancárias! (ah! se o que escrevo fosse verdade! O admirável mundo novo e A Ilha de Aldous Huxley e…) Elizabeth M. B. Mattos – março de 2026 – Torres

  • bugigangas diferentes! uauuuuu!

Deixe um comentário