sigo tentando não te pensar / nem em Peter Pan nem em Robinson Crusoé // mas gosto dos dois. estou dando a volta ao mundo com Herman Melville. sei o que pensas: pra variar, deveria pensar em mim mesma, ou me apaixonar outra vez por um novo estranho… e não seguir a caça de Moby Dick: “Pois bem, senhores, varrer a coberta do navio é uma espécie de trabalho doméstico que não se deixa de fazer todas as tardes, a não ser que açoitem as mais furiosas borrascas; e já conhecem-se casos em que já se realizou esse trabalho, no próprio momento em que o navio afundava. Tal, meus senhores, a inflexibilidade dos costumes marítimos e o amor instintivo dos homens do mar pela limpeza.” (p276) sou filha de marinheiro // os meus instintos são imperiosos: de amor, de alucinação amorosa mesmo. assim, a vida, a minha, é invadida por estranhos e curiosos hábitos… como, no meu caso, ter saudades tuas. intensas saudades na tua prolongada e silenciosa ausência, eu te penso. e, eu te penso. te pensar… seria isso amor ou punição? e recomeço a limpar, polir e perfumar a casa, a qualquer momento podes chegar… e tudo estará em perfeita ordem, meu querido.
“Acima com o timão! Até dar a volta ao mundo. A volta ao mundo! Que sentimento de orgulho podem inspirar essas palavras! Porém, aonde conduzirá toda essa circunavegação? Através de inúmeros perigos, apenas ao mesmo ponto de partida, onde aqueles a quem deixamos atrás, seguros, apesar de tudo, vão sempre adiante de nós.” (p.266)
vou seguir minha viagem te amando. Elizabeth M. B. Mattos – março de 2026 – Torres