estás escondido entre livros e sonhos: eu? eu fico a voltar e voltar. não consegui encontrar a ilha das risadas, e das certezas… tudo preso. agarrado ou grudado, ou interceptado por tuas convicções. alguma coisa mudou? sei lá… envelhecemos, de certo. (risos) segues procurando, eu encontrando e perdendo… um desastre se soma ao outro. esqueci de te dizer: consegui ficar terrivelmente triste, acabrunhada e desinteressada… e não li todos os livros que pretendia, nem escrevi todas as cartas… achas que devo tentar? sinto saudades. um beijo. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 – torres
Mês: agosto 2026
escondido
uma certa adolescência nesta coisa de envelhecer reverbera, complica: danada transição… não a idade / os noventa anos deve explicar alguma coisa, aqueles quatorze, treze e depois, surpreendentemente, gente grande escalona… ou como é mesmo que a gente explica? escrever se transforma no jogo de xadrez, duríssimo. está tudo tão ameaçado na decisão da nudez. falas saem do cuidado, da precaução, das regras básicas. aliás? regras?ainda temos?
tão evidente! dizer não importa mais / o silêncio se estende perco o sono… estou sem entender / aliás, compreender, apreender, recomeçar: perdi a intimidade. acho que é isso. vou procurar a definição de intimidade. querido, querido, sinto tua falta. ainda não respondi tua última carta como gostaria, fico nas margens, na insônia… meu querido, sinto tua mão. um beijo. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 – Torres
amanhã estaremos juntos