Autor: amorasazuis
enchente doméstica
pois é. pois acontece de chover dentro de casa / levei um susto! a água entrava por todos os lados, justo na sala onde guardo livros / só no banheiro não tenho livros, é verdade, mas isso é um detalhe. o terrível era / foi a água / lembrei das enchentes de Petrópolis / no Rio de Janeiro e agora que acontecem no Rio Grande do Sul / a eficiência de morar num barco, apenas com o essencial, não com livros, nem eletrônicos…
entre o fácil e o complicado, viver e respirar também tem equilíbrio, Elon Musk quer povoar Marte se eu já não fosse tão passada dos anos também eu me candidataria, seria voluntária… será que lá dá pra escrever? pra pensar deve dar não é? senão… senão, seria como morar no Brasil outra vez. Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2026 – Torres
batidas e batidas e eu senti, de longe o vento chegando pelos galhos, ou melhor, eu vi.
súbitos e esdrúxulos caminhos de luz que atrapalham a visão. o que eu sinto? aquele comum e tradicional medo que a ausência de teus braços me faz sentir. acomodei tão fácil, tão fácil! aquela certeza certa que estarias comigo para sempre! foi tudo tão rápido, não me deu tempo nem mesmo de desistir… Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2026 – Torres (o café não estava tão bom como o que o João faz, mas bebi)

…mulher? se for mulher pode ser RAINHA da Suécia ou da Inglaterra…tem outros reinados, eu sei, e muitas servidões a cada palavra
querido:
escrevo apressada para dizer que cheguei. a casa é pequena, tem um quintal comprido, um canteiro de margaridas, e buracos engraçados. tem uma pequena lareira, e floreiras de pedra, sem flores. quero que chegues logo. vou fazer funcionar o mais rápido possível, e logo pensar na horta. os papéis, lápis, tinteiro e cadernos prontos. comprei pincéis, tintas e duas telas. o silêncio é promissor. Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2026 – Torres sigo lendo A vida invisível da sra. Orwel de Anna Funder / editado pela Companhia das Letras
TU ME ACHASTE mais magra, querido, não, estou apenas mais velha!
com certeza
examinaste as gavetas? os armários, em ordem: a desordem estão nos pensamentos, nem vou te dizer sentimentos, paradoxal? não. estes estão serenos e quietos a serem usufruídos devagar… ora passam pelo passado, mas logo retomam o hoje e se aninham no cheiro da primavera, nas certezas boas de se reconhecer. hoje reconheci um passado bom que me trouxe a filha Luiza, minha preciosa menina, mais uma vez eu agradeço! benção, presentes com fitas, sorrisos e uma corrida pelo jardim… o cheiro de viver! Tão bom! Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2026 – Torres (cinzento o dia, mas casa tem um cheiro de lavanda ensolarada, eu gosto)

entrou
a porta estava aberta, ele entrou, ela veio atrás, sem constrangimento sentou. a sala cheia de jornais espalhados pelo chão, dois livros abertos. nenhuma curiosidade. ninguém tocou em nada. no banheiro se escutava o chuveiro correndo e no outro quarto, o radio explicava o rumo das eleições. íamos ter dois turnos. deitada na cama estreita do outro quarto, de baixo das cobertas, ainda febril, apenas fechei os olhos. adormeci imediatamente.
no meio da noite levantei para ir ao banheiro. perto da janela, um ramo colorido, dálias, eu acho. uma fresta da janela deixava aquele gosto de morno de primavera entrar. súbito a vontade de beijar percorreu meu corpo. senti saudade do teu abraço, meu querido, e daquele desespero bom de nos atirarmos um no outro quando não tínhamos vontade de falar, apenas abraçar. aliás, tudo já havia sido dito, o cheiro e o gosto, já era o discurso necessário… Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2026 – Torres
meu querido, embora não possa te falar, todos as vezes que eu liguei * (sigo insistindo), tua moça responde que não gostas de conversar ao telefone… acho engraçado quando lembro das nossas conversas por interurbanos, nossas urgências amorosas, das batatas sem sal, e as frutas maduras demais para o meu gosto / eras tu inventando uma vida para nós dois. a história eu conto aos pedaços porque amor se esfiapa mesmo, o bom tá no beijo demorado, no agarro e nas noites apertadas um no no sono do outro.



caverna
ainda assustador, estes redondos anos… deve passar, como as eleições passaram, passarinho: o voto, não a solução nem a máquina parou… há muito, muito, muito trabalho a ser feito, e sem mordomia… sem gentileza, só no braço: tanta gente desiste! não podemos desistir nem interromper…
Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2026 – Torres
SPACE X
Ao longo do caminho, a SpaceX colocou mais de seis mil de seus próprios satélites na constelação Starlink, cada um com o tamanho aproximado de um sofá, com uma meta de doze mil até 2027 e 42 mil BIRDs / Essa rede já pode cobrir quase todo o planeta com navegação, visibilidade, vigilância, internet sem fio de alta velocidade e outros serviços.
Hoje a Starlink cresceu e se tornou uma rede global de missão crítica, em âmbito econômico, estratégico e militar. Ela atende 2 milhões de clientes em sessenta países em todos os sete continentes. Os mais de seis mil BIRDs da Space X no ar se comparam a apenas 1.619 da Nasa e 3.303 da China. A empresa do Musk possui mais da metade de todos os satélites que pairam em órbita baixa, a cerca de 550 qulômetros acima da superfície da Terra.
No entanto, nada disso teria acontecido sem o enorme sonho de Elon Musk de chegar a Marte. E tudo isso aconteceu, mesmo que, vinte e poucos anos depois, ele ainda não tenha transformado o objetivo final em realidade. Se é que essa é a realidade verdadeira. Escreve Dennis Keale no seu livro ELON MUSK gênio ou louco?
o projeto lançado por Elon Musk / faça-você-mesmo da história do mundo: um dos maiores e mais caros projetos // pois é / eu tenho uma planilha… arregaçar as mangas e fazer, assim com os sonhos. logo estarei nos teus braços, e leremos teus poemas…
faça você mesmo / sonhe / não importa se as palavras dançam ou gritam. fotografe. as cores conversam mais do que os teus pincéis imaginam se agitar? continue, não interrompa teu fluxo de pensar, sentir / nem o movimento deles: faça feijão e arroz: rir de manhã, caminhar ao sol, choramingar porque faz frio… reclama, mas faça// sim, já te disse, as pitangas estão crescendo, a passarinhada se agita, meu jasmineiro e buganvílias brotam… logo estarei festejando meus sessenta anos e te beijando. sinto saudade todos os dias. resisto, eu sei. escrevo cartas e vou, aos poucos, te amando mais, mais. teremos confusas eleições… o Brasil acorda? não sei. gosta de dormir, das longas sestas. Elizabeth M. b. Mattos – outubro de 2026 – Torres
agora temos que votar, não viajar / vamos tentar mudar um pouco este nada / vamos tentar, vem, coragem…
