Va JOUER avec cette poussière

Pouvez-vous me dire quel est,à vous yeux, le phénomène le plus important du XXième siècle, ou du moins de cette première moitié du XXième siècle que nous venos de vivre?

-Le phénomene le plus important du XXième siècle est la toute-pouissance de la propagande, que aboutit à discréditer le jugement de l´homme, ou si vous voulez à discréditer l’homme en tant qu’être pensant. Aujourd’hui, l’organisation de la propagande est telle puissance – internationale – et d’une telle habilité, que, partout dans le monde, l’homme même losqu’il a une certain valeur, n’est plus guère capable d’y résister, et cela dans tous les domaines. Le monde aujourd’hui est par le snobisme social, le snobisme politique, le snobisme intelellectuel, le snobisme religieux, snobisme artitisque, le snobisme économique. J’entends par esnobisme la conduite de celui qui adopte une certaine opinion, siplement parce qu’on lui a dit que c’était elle qu’il était covenable ne avoir. IL substitue cette opinion à la mode soit à son absence d’opinio, soi à une opinion toute contraire qu’il avait quand il réfléchissait personnellement. Le snobisme des classes populaires égale et dépasse celui des “elites”.

La propagande, la publicité, le snobisme ne datent pas d’aujourd’hui…

-Certes, et j’écrivais avec plaisir, par exemple, un étude sur le esnobisme dans le monde romain au premier si´cle avant Jésus-Christ. Mais ils ont pris aujourd’hui une envergure et une efficacité qui n’ont jamais été atteints. […] p.78-79 Année 1962 – Henry de Montherland – Va jour avec cette poussière

Marina Feifer – 2024

envelhecer e

Não querer, mas vai igual… Sorrateira a ‘coisa’… Atropela de qualquer jeito. Jeito bom, dizem, disfarçado, remendado, mas vai. Haja paciência com as bolinhas, os estalos. Os dedos entortam como os da feiticeira da Branca de Neve. Cabelos?! Uauuu… (choro). A peruca resolve, tão interessante! Deve ser quente. Ou aqueles apliques, ou sei lá quais as mágicas: preenchimento. Maquiagem. E risadas, companhia, distração, academias, um pouco de sol, um pouco de mar, boa comida e atenção! Óleo Mazola, não detergente para bifes ao forno. Batatas com atenção, mais um pouco, estarão, completamente, grudadas no fundo da panela… E não coloque álcool nas alfaces, azeite. De preferência, quando for cozinhar, acenda a luz. Não dance. Não pense. Não se afaste… Não converse. E beba apenas um cálice de vinho, não dois. Faça uma sesta. Invente um jogo de paciência. Queime os livros, e brinque com as bonecas, com a vida, com as palavras. Compre novos livros, leia bons autores. Não queime os livros, eu exagero. De várias voltas na quadra da casa, tenha paciência. Fale pouco. Escute mais. Abra os olhos e respire. O bom autor conhece o português, se for tradução, investigue… Aprenda um idioma. Não esqueça de visitar o passado, estas memórias são como molhar o gramado, revirar a terra dos vasos de gerânios. Pinte a casa com quem faça depressa esta mágica e perfume a vida. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro – 2024

Seja rico, porque se fica mais tempo na beleza. Os ingleses gostam de flores azuis.

de existir / por existir / desistir

Dois dias, um dia, uma manhã, toda uma tarde / um qualquer devagar / vagar ou lento espreguiçar. Por quê? Porque, porque ser completa pode importar. Ou sentir inteiro (tão difícil). Olhar sem desviar o olhar: nada fácil. Há qualquer vontade a nos testar. Um vaso de ensaio. Experiências que deram errado… Sem o filtro do apaixonar fica esvaziado / vazio o experimento… Sem bolhas, nem cheiro, sem explosão… Um arremedo, uma farsa de ser… Um prêmio de consolação. Ora, hora! Ora, ora veja! A hora de recomeçar foi ontem, ou antes de ontem. Não posso desistir das gotas de todos os dias, nem da chuva nem dos trovões, nem da vontade nem daquela felicidade preguiçosa que assopra: “tô” cansada, já chega! Vamos dormir e nos esconder. Um pouco, só um pouco, apenas um pouco. Chorar, deixar escorrer a lágrima e toda aflição. (Uma das esquisitices de envelhecer é não ter lágrimas). Sentar, olhar fixo para um ponto, descolar o tempo, uma mágica. Exercícios. Não são minhas estas palavras, nem é a voz que eu espero, não tem gentileza nenhum, uma fatia de bolo. Amanhã de manhã vou comprar muitas fatias e bolo: de chocolate, de frutas, de merengue, de surpresa. Depois pastel, empanados, ou salada de frutas, sanduiches prontos (variados). Vou trazer a festa para casa. Encher os balões. Refrigerantes, sucos e sorvete. Vai ser bom festejar: estou livre. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2023 – Torres

ainda da solidão

“É impossível, compreendo, penetrar na solidão de outra pessoa. Se é verdade que sempre podemos vir a conhecer outro ser humano, ainda que em grau pequeno, isso só acontece na medida em que o outro quiser se fazer conhecido. Um homem dirá: estou com frio. Ou não dirá nada e vamos vê-lo tremer com calafrios. De um jeito ou de outro, vamos saber que está com frio. Ou então não dirá nada e vamos vê-lo tremer com calafrios. De um jeito ou de outro, vamos saber que está com frio. Mas e o homem que não diz nada e não treme? Onde tudo é intratável, onde tudo é hermético e evasivo, não se pode fazer nada senão observar. Mas se a pessoa consegue ou não extrair algum sentido do que observa é outra história.” (p.27) Paul Auster A invenção da solidão

Paul Auster

“Enquanto escreve, sente que se move para dentro (através de si mesmo) e ao mesmo tempo se move para fora (na direção do mundo). O que ele experimentou, talvez, durante aqueles poucos momentos na véspera de Natal em 1979, sentado sozinho em seu quarto na rua Varick, foi isto: a súbita consciência de que mesmo sozinho, ou para ser mais exato, no momento em que começou a tentar falar sobre essa solidão ele se tornou mais do que ele mesmo. A memória, portanto, não apenas como a ressureição do passado particular de alguém, mas como uma imersão no passado dos outros, o que vale dizer: história – da qual a pessoa tanto participa quanto é uma testemunha, é uma parte e se mantém à parte. Tudo, portanto, está presente ao mesmo tempo em seu pensamento […] Se existe alguma razão para ele estar em seu quarto agora, é porque há dentro dele alguma coisa ávida para ver tudo de uma só vez, saborear esse caos em toda a sua simultaneidade lenta, tarefa sutil de tentar lembrar o que já foi lembrado. a caneta nunca será capaz de se mover depressa o bastante para pôr no papel todas as palavras descobertas no espaço da memória. Algumas coisas se perdem para sempre, outras talvez serão de novo lembradas, e outras ainda foram perdidas, encontradas e perdidas outra vez. Não há como ter certeza de nada disso.” (p.156) Paul Auster A invenção da solidão – tradução de Rubens Figueiredo – São Paulo – Companhia das Letras – 1999

não consigo

Não consigo esquecer, nem perdoar. Pequenas coisas que bateram feias… Estes detalhes malvados tecem o caráter. Desavisada, entregue a nostalgia da tristeza, volta o sentimento ruim de ser traída. O dia volta com aquela alegria desavisada tão solta, a minha. Conversas, risadas… Tão bom! E fizemos o jantar. Convidamos os amigos, preparamos, programamos. Foi a pedra que colocaste na possibilidade. Culpa minha, tua? Não sei. Era uma terça-feira. Enquanto escrevo penso que, neste momento, deposito em ti minha incapacidade de conquistar. De ter amarrado o sentimento. Afinal, era teu amigo, não meu. Tua casa, não a minha, teus planos, não os meus. Quem sabe um dia esqueço e escrevo o outro lado da história. Dos meus namorados, não os teus. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2024 – E sinto saudade da vida em Santa Cruz do Sul – longe de tudo e perto da construção de ser apenas eu, comigo, sem trilha. O novo.

mínimo direito

Necessidade de estar só, de não ouvir ninguém pedindo nada, que não me levem junto… Esse horror de que tenham o mínimo direito sobre eu pessoa, de que me façam sentir isso… Essa evidente falta de jeito dos outros, de esperar alguma coisa. Eu me torno logo incapaz, eu me anulo: resolvo fazer o que não tenho vontade. Escrever pode ser um caminho seguro. Não sei. Desconfio.

Jardim com crisântemos, íris e pessegueiros floridos… Atravesso pelo caminho de pedras. Pedras escolhidas, eu posso dizer seixos? Não sei. Cabelos espichados, sem movimento, como chorosas lágrimas escorridas na cabeça. Pele escura. Olhar sombrio e castanho. A voz caminha pelas escadas do segundo andar.

Não gosto de ser vigilante, atenta, acompanhar o dia e a noite, insone. Quero o sono de todas as horas, aquele que sonha. No entanto, o jardim, a terra coberta de pedras encanta. Árvores se movimentam dentro da história colorida. Ou seria a cor do pincel? Troncos finos, outros maduros e grossos. Na tela estes espichados senhores do tempo, os trocos. Não. As palavras não conseguem entender a visão, nem explicar o som do dia, súbito, a vontade de voltar a dormir. Esta coisa de usar o sono como borracha, goma de esquecer. Questiono os detalhes. Tenho a certeza que no detalhe traiçoeiro se esconde o principal. A porta bateu, ou fechou bem devagar? Eles não queriam que eu acordasse, ou não iam me convidar para passear. Foram todos para o jardim no momento em que entrei correndo na sala cheia de novidades! Levaram os cães… Ou apenas as vozes. Quero olhos azuis, cabelo aloirado crespo, colorido e em movimento. Quero ser a outra, e ter voz mansa, fala arrastada (sensual), reticente. Estou cansada da leitura: arrastada, incompreensiva porque repetitiva. Será que todos pensam a mesma coisa numa variante de dia e noite e idioma, o mesmo. É deste mesmo escorregadio que eu me escondo: escondida, revelo. Todas as cores numa cor. Nenhuma cor: todas. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2024 – Torres

é proibido

Exatamente. O peixe saiu surpreendido no fio de linha! Direto para a panela. É sobrevivência. Então, “É proibido pescar” não importa muito… Tiro fotos, esquisitas, não sei otimizar. Depois eu me sinto uma idiota / há placas, viaturas passam… É assim. Sem regras mesmo. A lagoa recebe estas visitas, estes se hospedam num horror aqui mesmo. E as pessoas não se importam, ninguém se importa, ainda não entraram no cercado do seu jardim, então… Um domingo mal humorado este. Não deveria ser, mas este azedume explica a invasão do verão… o excesso. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2024 – Torres

limite

O limite do tempo que consigo ficar enfiada na emoção começa a diminuir. Cabeça, braços e pés se metem a tremer, e o que sinto não é mais pensamento, mas exige movimento físico. Então é preciso interromper a emoção e a cadeia de sentimentos e recorrer ao artificio. Fazer um chá, abrir uma coca-cola, dar uma caminhada. Os sentimentos não se escondem, eles te engolem. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2024 – Torres