se

se eu conseguir jogar as cinco Marias e as varetas se misturarem de um jeito bom… eu consigo. se tu escreves, parece perfeito. se meu cão morre posso chorar… a guerra continua, talvez os ideias permaneçam dos copos e das pílulas. sempre foi assim? o cheiro bom da cozinha… o bolo quente para o chá, esta passarinhada, os cores. os pincéis da aquarela, as tintas na paletas, o avental… terebentina. o cheiro da limpeza. a doçura de acertar, sempre podemos acertar. dobrar as roupas, refazer as pilhas… rir um pouco. eu quero. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2025 – Torres

quietude

valorizo o silêncio / quietude da verdade que abraça / este beijo com a realidade / importa… humaniza. a fantasia não está no combate… é real! assusta! Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2025 – Torres, passear pelo mundo não é se compadecer, nem ajudar, hoje fiz um passeio até a feira livre e voltei com bergamotas e limões… tinha aipim / pensei / deveriam ser do verão… pode tudo hoje.

só não pensei que ele poderia morrer / assim, tão cruel, pobre cão!

amor afeto saudade e surpresa

A vida continua… eles estão conosco, os animais / pensam afetivo, isso faz a diferença. Pensar, conversa. Dividir expectativas faz parte do tempo, os livros gritam e se explicam. Difícil entender o mundo / as telas de celulares e de computadores assumiram o palco. Eu dou dois passos, fotografo as panelas, a chuva, o que estou assistindo na televisão. Fotografo o movimento das calçadas, o bolo… E mando, imediatamente, para os filhos, netos, amigos… Estou viva, estou aqui. De repente sinto saudade do silêncio. Do nada. Mas, imediatamente, escuto a tal solidão… ou a exigência: preciso fazer isso, responder aquilo, e no meu caso, limpar lavar e passar. A cada um sua obsessão. Saudade do compromisso do trabalho, da turbulência da sala de aula… saudade do meu egoísmo de vida. De pessoas. E saudade dos sentimentos… Do sentimento passageiro, fantástico. Aquele específico encontro e reencontro. Saudade é uma palavra quente. Ah! Se fosse possível desdobrar em vidas possíveis o tal coração! Eu ia contar do cão que quase se mudou para cá e me visita, mas não é meu, destas turbulências! João e eu íamos adotar, mas ele já tem dono.

Danada confusão! Possuir, mas não ter… Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2025 – Torres com chuviscos – pois é…

memória do esquecimento

A amizade é indispensável ao homem para o bom funcionamento de sua memória. Lembrar-se do passado, carregá-lo sempre consigo, é talvez a condição necessária para conservar, como se diz, a integridade do seu eu. […] Como a amizade nasceu? Certamente como uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o homem ficaria desarmado perante seus inimigos. Milan Kundera

nostalgia = envelhecer

há pressa, muita pressa em viver. fazer acontecer o dia, a tarde, a limpeza, fazer acontecer o amor ele mesmo… cada relampejo tem cheiro de verão, antes da primavera. o outona chama o inverno, imobiliza a alma. juro que vou ter coragem. comprar a passagem para o sol, para desdobrar a imaginação… tão bom viver! derrapo ao anoitecer. a pressa de que seja amanhã atrapalha. o que posso te dizer, meu querido?!, respira fundo, e vamos pagar todos os impostos, todos. reserva um pouco de dinheiro para o leite e para comprar manteiga, o pão que gosto tanto! laranjas bergamotas limões estão enchendo as cestas, posso abusar? vou fazer um feijão de uma manhã toda… a cozinhar lento como o amor, aos poucos… engrossar. se refestelando no arroz com alho e cebola, pouco sal, pimenta? que saudade me deu de tuas risadas! Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2025 – Torres (estou te esperando, volta logo / os cabelos estão caindo / um sinal triste)

não sei, não sei, pois não sei

tuas palavras importam, dizem, significam, e aterrissam na minha vida como que explosivas:

Na realidade o interlocutor não quer uma resposta que construa uma solução, mas uma forma de criar uma bravata de palavras, com danos imprevisíveis. Razões: inexplicáveis a maioria das vezes, porque sabe não ter resposta. Uma forma de punição amorosa. Não há maior frustração a quem deseja uma ‘bravata’ do que não haver opositor. O silêncio assume um papel importante[…]Por isto silêncio não é acompanhante de solidão, é ambiência acolhedora para escrever o passado transportando as consequências das escolhas do hoje – coloridas.

Não sei, não sei / não sei / a reler tua carta e compreender melhor / talvez a minha capacidade de entendimento esteja…, esteja se despedindo / as palavras escapam… Vou reler vou reler o valor/ valor, valor ou susto! Agarro o silêncio / o eloquente silêncio / mas não me consola / isso deveria ser consolo?  O maior castigo para a criança / a grande punição é o silêncio / o isolamento que significa (em algum momento) o nada / “você não existe “: não importa se fez ou não / se disse isso ou fez aquilo! “És invisível “coisa kafkiana/ ou tortura! No amor qualquer silencia / qualquer ausência doe. Danado e eloquente silêncio! Pensar dez anos ou mesmo cinco anos pode ser uma projeção amadora / sei lá! A gente quase chega lá (aonde a gente chega mesmo?). O corpo se movimenta no sonho e desliza prazeroso / o inexplicável do deste domínio ou da paz… O que quer dizer?!?! O corpo completo e perfeito. Não sei / viagem sensorial poderosa! Mas, mais, mas o próximo… Outro julgamento circense espetaculoso! Ainda estamos no mundo? Ou o mundo está dentro de uma redoma forjada (a redoma permite que a gente olhe / mas não interfira) e estamos todos amortecidos… Estou bem “fora da casinha” / atordoada. E era pra te dizer que depois vou te escrever / vou te escrever todos os dias e todo o tempo pra sentir melhor o que sinto… Um beijo meu querido. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2025 – Torres frio, frio enorme.

dizer

quero te dizer tantas coisas! quero acender faróis e estender as bandeiras, por que não? dividir. mas, tão logo expresso / escrevo/ digo, estranhamente, as tais coisas se desvalorizam… mergulho na dúvida e quando volto a procurar/definir o sentido… eu estou a pensar de outro jeito… e te imagino, eu te penso ocupado, e sentindo o mundo tão longe de mim! tão, tu contigo, e não nós, nem tu comigo… por que sempre quero mais?…e mais? eu te quero. – Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2025 – Torres

preguiça gelada

imobilidade do frio arrasta a preguiça: perigo. bom que escuto a gritaria dos passarinhos. silêncio no prédio. o corpo congela imóvel. sensação de paralisia completa. a cama não é o melhor lugar, com certeza não é. estou a me perguntar: se a idade / os 20 anos mudariam alguma coisa? trabalhar, respeitar horário, fazer o isto e aquilo que o dia exige. qual o remédio para sentir menos frio? vou acertar as palavras. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2025 – Torres