E a lista das Debutantes de 1961

REVISTA DO GLOBO

012Noite de 10 de junho 1961: as 22 (vinte e duas) debutantes do Country Club

Ana Helena Loureiro da Silva Macedo

Ana Luiza Terra Lopes

Beatriz Casado Paiva

Berenice Tavares

Bebete Torely Bastos

Elizabeth Menna Barreto Mattos

Eleonora Santana

Heleninha Escobar Fontoura

Heloisa Maria Cattani Oliveira

Isabel Echenque Matos

Lala Aranha

Liliana Bastian

Luiza Maria Cavalcanti

Maria Araci Correa Meyer

Moema Bertaso

Magda Dorneles Franciosi

Marisa Ester Melzer

Marta Garcia Cibilis

Maria Luiza Amaro da Silveira

Nanata Carvalho

Tânia Borges

Zênia Aranha

014

016

Elizabeth Mattos e Paulo Rocha

Eles e elas

UM novo CLUSTER

  1. Um novo cluster da juvenilíssima guarda tem acontecido em pedidas das mais diversas na órbita das coisas bem… Chez Maria Regina Sousa e chez Maria Celina Bastos, o olho mecânico do colunista observou:
  2.  Heleninha Fontura que é uma das nossas debutantes de 1961, acontecendo sempre versus Totonho Medeiros…
  3. A bonita nouvelle vague Beatriz Berta versus  Nelson Fontoura…
  4.  A deb Heloisa Cattani Oliveira, versus Marco Aurélio Krebs, e Maria Reingantz, versus Marco Aurélio Guaspari…
  5. Lalo Corbetta e Júlio Mottin, trocando de garota a todo instante…
  6. Magda Becker versus Rubinho Borges Fortes…
  7. A classe das anfitriãs, Maria Regina Sousa e Maria Celina Bastos…
  8. Também acontecendo na tangente do conveniente: Cezar Padilha, Aparício Noronha, Renato Camargo, José Antônio Lazarotto, Nilton Lerrer e Pedro Armando Lartigau…

015

 Luiz Augusto

Chez Elizabeth Mattos

A debutante bonita que é Elizabeth Menna Barreto Mattos reuniu, no fim de semana, um cluster muito top da jovem guarda, para um jantar íntimo… A agenda do colunista lá anotou:

A elegante que é sempre Gelsa Maria Prunes, e sua sofisticada piteira…

As debs bonitas que são Lalá e Zenia Aranha em um movimentado blá-blá-blá com o grande partido que é o Sr. João Paulo Porto Pires…

O azul profundo da anfitriã com o bem lançado Paulo Rocha…

Ana Helena Loureiro da Silva Macedo e Magda Franciosi, versus o play-boy bem lançado que é Paulo Correia Meyer…

Foi uma pedidazinha acima de tudo elegante que teve como cenário a bela residência decorada pelo bom gosto da Sra Anita Mattos, e que vive num dos ambientes mais reussi  da cidade…

Luiza

13 de outubro 2013 – PORTO ALEGRE –

Respiro, absorvo o sorriso da palavra, depois sinto o abraço magro, e, mais tarde, lentamente, desdobro teu sorriso. Desenho o corpo, a cabeça. O sulco na folha, ah! este esforço de traçar…sem lágrimas.

Despetalar, desfolhar, desmentir, desvendar, andar. Arrancar a tristeza. A dor que aperta, espeta, arde… Isolar, constranger porque alheio, estrangeiro, imposto. Vou fechar os olhos e ser feliz. Eu posso! Perdoa! O pedal da máquina de costura toca – toca: saia, calça, blusa, e também pinta a sala de seda, renda, linho, percal, tule, e todos os carretéis nas cestas redondas. As linhas se bordam, se misturam nas agulhas italianas. Sou eu que alinhavo, costuro, bordo, e danço em volta da mesa, feliz! Nenhuma lágrima menina! Só palmas! Vou acender um cigarro.

Para Fernanda

Criar um espaço como pessoa, como criatura, tanger o real. A casa na rua X, a cidade no estado K, o estado num país W, eu no tempo. O tempo nos carrega. Somos labaredas informes. Escrever, ou tentar escrever meticulosamente com a ideia de reter, repetir, fazer existir alguma coisa precisa. Seguir, perseguir esta coisa: amorasazuis. Verdade desenvolta! Arrancar uma parcela, um fragmento de memória, ou uma amostra do que poderíamos ser. Ou a escrita deste livro, ou daquela nova leitura, novo olhar. O corte, o molde para nova costura. A escolha do tecido. Com palavras fundir a possibilidade, deixar um rastro, o traço, as ranhuras de um esforço. Escrever como signo, como marca. Como uma conversa solta, e ao mesmo tempo, nossa. Escrever como encontro. Compreensão. Escrever como aprendizado. E possibilidade. Lugares estáveis, permanentes, enraizados, pontos de partida, nascentes.  Todas as frutas azuis daquele bosque, daquela árvore serão colhidas e preparadas para ser consumidas no grande grupo glutão! Bem, tais espaços precisos não existem, e porque não existem são questionados. Não há evidência. Não pode ser incorporado ou apropriado. Imagino…

 

Cansaço com poema

Hoje estou cansada. Cansada. Penso enquanto me debruço nas estantes. Um livro aqui, outro perdido,  este achado.

Como escreve Jacques Rigaut, ‘Et même quando j’afirme, j’interroge encore.’ (E mesmo quando eu afirmo, eu ainda interrogo). Peço perdão pelo meu cansaço porque não digo, nem penso, escorrego. Pela audácia dos desabafos nos parênteses. São parte da chuva. Das trovoadas de sexta-feira. Presa! Sufocada! Um dia de textos lidos, estantes remexidas, e um poeta reencontrado. Perguntas sem música, só letras. E Brecht nesta pausa.

E um poema:

Elogio da Dialética

(Bertold Brecht de uma seleção e estudo de Arnaldo Saraiva – Coleção Forma)

“A injustiça avança hoje a passo firme,

(Hoje? Ou foi sempre assim espedaçada esta tal justiça?)

Os tiranos fazem planos para dez mil anos.

(Tanto o roubo, maior o plano! Tanta a ganância maior o jardim, que já é parque. O quintal, o mundo inteiro. Sem limites.)

O poder apregoa: as coisas continuaram a ser como são.

E em todos os mercados proclama a exploração: Isto é apenas o meu começo.

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem:

Aquilo que nós queremos nunca mais alcançaremos.

(Desânimo, desespero, cansaço, e passo pequeno! Cansaço!)

Quem ainda está vivo nunca diga: nunca.

O que é seguro não é seguro.

As coisas não continuarão a ser como são.

Depois de falarem os dominantes

Falarão os dominados.

Quem pois ousa dizer: nunca?

De quem depende que a opressão prossiga? De nós.

De quem depende que ela acabe? Também de nós.

O que é esmagado, que se levante!

O que está perdido, lute!

O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha?

Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

E nunca será ainda hoje.”

Como escreve Jacques Rigaut, ‘Et même quando j’afirme, j’interroge encore.’ (E mesmo quando eu afirmo, eu ainda interrogo). Peço perdão pelo meu cansaço porque não digo, nem penso, escorrego. Pela audácia dos desabafos nos parênteses. São parte da chuva. Das trovoadas de sexta-feira. Presa! Sufocada! Um dia de textos lidos, estantes remexidas, e um poeta reencontrado. Perguntas sem música, só letras. E Brecht nesta pausa. Elizabeth M.B. Mattos – 2013