Klimt: o passado presente

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 Erotismo e requinte. As linhas sinuosas da arte floral se metamorfoseiam em braços e mãos, nádegas e bustos, em corpos femininos sedutores e satânicos. Amor e morte. A herança simbolista do final do século XIX ganha vigor novo nas alegorias desenhadas com mestria e concebidas com audácia: sob for impregnadas de arcaísmo pulsa a sexualidade reprimida, que Klimt explicita em nus femininos, nos lábios e olhos plenos de desejos das mulheres que pinta. E no ouro que esplende em volta delas.

(…) da página 74 do livro de FERREIRA GULLAR: Relâmpagos [dizer e ver] da  By Editora Cosac&Naif, 2003 – Klimt: o passado presente

Música e dança

A balança interna! Uma medida cada dia! A energia entra e sai… O perigo. Quem nos vê também percebe que oscilamos… E as plantas! O verde! Mexer, remexer, a conversa… Nos vasos elas estão escravizadas… Sem gramado nem floresta. Sem quintal. Como nós, domesticadas! Passamos a ser apenas o que os outros esperam?  Adaptados, sobrevivemos.

Ouço a música da cidade, olho pro verde, e o movimento das folhas faz a dança…

Jacques Prévert

 
Os poemas escritos por Jacques  foram transformados em música por Joseph Kosma. Como  Les Feuilles Mortes. Em 1946, publicou  o livro de poemas Paroles que alcançou enorme sucesso. Prévert passa a ser reconhecido, e os seus poemas estudados em várias escolas francesas.
Jacques Prévert faleceu aos 77 anos.
 

A quinta caixa

Depois de abrir a quinta caixa encontro o livro. Abro, releio e volto pra você… Passeia no desejo velado, dolorido e inquieto. Volta, e vem e vai ao encontro de. Como Lispector… Que possa transitar na sua vontade e na minha. A vida faz cócegas. Urgente abraçar! Ouço o calor na chuva quente do verão! E sou outra vez carioca…

Abraço de palavras

Palavras se soltam! Deslocadas, achadas, banais… Algumas dizem, outras fazem, outras sentem! Nem fazem, nem dizem. Juntas escrevem… E o tempo não escorrega, abraça. Palavras! Num recorte a imagem… Ordenada beleza. Gosto das tuas palavras! E da imagem! E deste abraço em palavras! Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2013

Augusto Rodrigues

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 Augusto Rodrigues nasceu em Recife, 21 de dezembro de 1913. Morreu em 1993  no Rio de Janeiro. Foi pintor, desenhista, gravador, ilustrador, caricaturista e fotógrafo. O  meu encontro com o artista plástico aconteceu em 1965 no Jornal Feminino na TV Gaúcha – Canal 12 – durante uma entrevista. ficamos amigos.

Célia Ribeiro era a jornalista responsável.

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Explicação de saudade…

Boca do Acre, 15 de maio de 1967.

Beth, minha querida

Há muito que tenho em mãos a tua carta. E esta é a tática que uso quando gosto das cartas: custo a responder. Pois, assim, ela é lida muitas vezes. Após ser respondida toda carta é posta de lado, pertence ao passado. Isso não quer dizer que não tenhamos nos impregnado de um pouco dela. Apenas amadurecemos aquele conhecimento o suficiente para dispensar sua presença física; passa, pois, a ser uma presença permanente, ainda que, às vezes, não nos demos conta.

A vida aqui, minha cara Beth, é apenas a continuação da minha vida, enquanto vista como história individualizada. Coisas interessantes as há, e muitas. Seria para mim difícil contá-las. Por um lado porque o tenho feito lá para casa e por outro porque não poderia dar o colorido necessário no papel. Aliás, as experiências foram feitas, se assim pode-se dizer, para ser vividas, e não para ser contadas. Talvez tu vás classificar o que direi como  amava ao passado (Quero saber tudo de ti menos das tuas saudades da gente daqui.”). Pois, quero saber  como vão meus amigos, parentes e mesmo simples outrora conhecidos. Pois,  quero saber uma palavra dita por uma determinada pessoa. Enfim, quero contar que sinto saudade. Mas tu talvez não saibas como são as saudades de quem parte. São um bocado diferentes das que ficam. Há que fazer todo um caminho até purificá-la. Explico. No início o que sentimos é o que o inglês define muito bem como home sick. Uma doença causada pela falta de afeto e pela saudade de si mesmo, de sua vida pregressa e pelas incertezas do futuro. Aos poucos os sentimentos vão se depurando e no fim sobra só o que verdadeiramente podemos chamar de saudade. Uma doce saudade. É uma lembrança alegre e, sobretudo gratificante; nos anima a enfrentar as novas situações. Não estamos sozinhos. Penso que para se poder sentir esse tipo de saudade precisa-se ter um estado de liberdade interior. É  precisamente por ter essa liberdade (mesmo quando falta tanto no mundo objetivo) é que tu me pediste para não falar disso e achei, então que podia, e tinha, alguma coisa para te dizer sobre isso, precisamente.

 […]

Para ti,  Betinha, um grande e afetuoso abraço do Eduardo

(Eduardo Azeredo Costa)

 

Desaparecem e voltam. Como a memória de tantas histórias: enterradas ou não, elas respiram. Cada detalhe, um borrão na memória do amor. E sempre, muito amor. Elizabeth M.B. Mattos

Olhar nos olhos

Aquilo que dizem nem sempre é o que sentem, pelo olhar sabemos. O olhar é mais do que a palavra. Silencioso, eloquente. O que sentimos está no olhar. Difícil explicar. Pode-se ler o olhar, o corpo, a roupa, o movimento, o texto. O exercício é olhar sem censura. As palavras saem depois como jatos que flutuam.  Ler as pessoas ocupa todo o espaço-tempo neste nosso tempo. Pensa o teu olhar, exercita o olhar. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2013 – Torres