100 anos

exigências não desaparecem… perfume de rosas, cheiro de jasmim, capim cidreira e aquele desejo derramado e exótico de lavando: corpo X casa X armário. como fazer um bife sem três velas acesas? como lavar a roupa que não fique impregnada de amaciante fresco, o perfume da vida / mínimo / três banhos diários… lençóis impecáveis / travesseiros de feno… perto dos 100 anos / estou, mas sigo perseguindo os cheiros e o prazer dos aromas. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro – 2026 – Torres

cheiro de gramado molhado, de inverno, e de verão doce, perfumado pelo amor de amar. que bom teres chegado!

queridoqueridoqueridoquerido

distância de tempo de um dia de um carnaval, saudade esquisita num dia de recreio festivo… inquieta sem te ver sem te saber, sentindo, é verdade, mas só sentir não muda minha aflição… saber que estás / estou / estamos = vivemos e seremos, ou vamos mesmo deixar o mundo ruir, separar, quebrar? volta meu querido, depressa! Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

achas?

tu achas mesmo que te amar não é verdade? ainda processo? transformação? metamorfose? eu te amo: vejo borboletas e cores… não consigo tocar. é verdade. sinto o gosto, o gosto do teu amor. misturo com água e bolinhas e com sabor, sem sabor, às vezes, da fonte: raríssimo. eu amo teu amor. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

TZCmemórias

narrativas flutuantes são / permanecem / brotam sempre contraditórias e íntimas. vamos retirar a saudade / lembranças, objetivar o susto. estatelada em baixo do chuveiro, sem quebrar nada, só o ridículo de cair e levantar bem depressa pra que o susto não surpreenda. aventuras de verão. perdi a colheita dos tomates / já estão na terra virando semente again. o que resta? tua presença ansiosa como a minha… estamos, os dois, estupefatos com este verão misterioso, e, decepcionante… estávamos, tu e eu, esperando, a surpresa das estrelas. bem querido, elas devem estar nos esperando… Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro – 2026 – Torres

MarinaPfeifer

atrapalhada

atrapalhada / precisaria muita muita terapia / fala e escuta para me libertar daquele pudor perturbador que é ouvir a história do outro, e na história do outro, observações como: X era especial, K um idiota mesmo, para não dizer sem inteligência /com limitações. irmãos, ambição, pois é, ambição e grana elementos daninhos perigosos e necessários. ter saudade boa de certas escolhas… histórias para contar / fujo delas. tenho que aprender, reaprender tudo outra vez. amorosamente / divertidamente saber escutar. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

excitação

hoje te amei. tão bom! especial sentir, enebriar, este ferver de excitação e alegria. teu sono, tua preguiça sonolenta, teu acordar cheio de bocejos preguiçosos… teu sorriso! te amar… tão bom! Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

fofoca

dizem que saudade dói mais que tudo…desarruma até a casa, tira as coisas do lugar… e, sem remédio, se espalha. como se deve curar a saudade? haverá um ritual? substituir a saudade por outro sentimento / esquecer. esquecer é o remédio, não voltar, não deixar nunca entrar. fechar a porta. esta anarquia toda, esta desordem completa, esta louça empilhada, e esta roupa para lavar… estas caixas entreabertas… e o amontoado de livros não lidos, estranhos, espalhados… os discos que não foram limpos, nem tocam, se empilham desastradamente… não voltaram pra Modena, não foram viajar, ficaram… estou condoída, desencontro, distração, negligência? talvez esta desordem toda… se enraizou. não basta tomar banho, mil vezes a chuveirada, o mar, a agua que lava e anima… aguar o tempo para que renove. os tomateiros cresceram, o espinafre começa a nascer…as hortênsias, elas se esconderam… a terra. o ar, o sol, o verde, as cores, os lápis, os pincéis… toda aquarela… preciso me concentrar. Não sentir mais a saudade. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

outra queixa, o gosto da comida, prazer sabor, e a dor pelo corpo, sinto um medo gelado, pés gelados. será tudo saudade, meu querido?

tomates / tomates / tomates

fechar a porta

sim, a coisa toda, meu querido, é fechar a porta. pelas frestas a gente escuta coisas distorcidas. não é fala, mas ruído. como a gente faz quando pensa desagradáveis de dia e dorme pesadelos. uma imagem, uma voz. nós costuramos o boneco. depois furamos os olhos, bruxas fazem assim, e amaldiçoam… rogam pragas. não foi nada pessoal, um detalhe incomodou. não era pessoal, mas eu agarrei como se fosse… então, não posso contar a história porque o desgosto cresceu maior, aquele que se transforma em rancor, em qualquer coisa esquisita que não lembra mais o bom, o gentil, apenas aquela percepção ruim do outro. conversar tem estas arestas… as boas conversas não terminam, quando alguém conta uma história, a pessoa ouve, intrigada, a provocar a ideia, então, veste o boneco de pano com os trapos possíveis. assim a menina do borralho virou Cinderela e dançou com o Príncipe uma noite… mas, estes contos de princesas e príncipes são perfeitas e para sempre… porque nasceram príncipes e princesas, não foi conquista, é da natureza real. transformações existem, feitiços existem, mas a natureza do elemento mágico SEMPRE esteve lá… às vezes, meu querido, esquecemos quem somos e nos impressionamos com o poder passageiro do ambicioso… daqueles que pretendem entrar no reino. estas histórias precisariam ser contadas, reescritas outras vezes, predatoriamente perfeitas, não achas? pensa. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

se a gente pensasse mais na própria raízes… veria o tronco, as folhas e os frutos na perspectiva certa: pais e as mães são raízes… a inteligência, sensibilidade e até a beleza chegam das raízes, o mau caráter, a ambição desmedida, a preguiça, o deslumbramento inútil, também… as histórias da vida, são mesmo os contos de fada, meritórios.

envolvida…

os trapos do tempo me envolvem… e não consigo desligar da música, da voz. deixar, por um pouquinho este cariocando e voltar pra Torres / foi bom viver no Rio! não, eu não tinha tempo, era fazer tanto e tanto: trabalhar, amar, passear, amigas: o tempo como pandorga. as mordomias de ser jovem. ah! tenho saudade do meu pai, da minha mãe que me estenderam a vida… tanto e tanto! não sei nada de Porto Alegre, a escola, o tempo das cônegas, o internato, debutar no Country Club / o primeiro baile. o Colégio Bom Conselho / a festear e festear / festejar. Logo voltei pra cariocar… filhos nasceram no Rio de Janeiro. Claro! depois Jorge me levou pra Rio Pardo / o campo: seca e plantações, açudes. arroz e a soja: girassóis e Santa Cruz do Sul (ah! tenho saudade /e a minha Luiza chegou. tanta vida tem a vida! sou apaixonada por mim mesma / cruel isso. meu barco não tem porto ) Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres – agradecida serei por cada minuto, cada lágrima, cada encontro / cada despedida… ah! preciso urgente ir a Modena, a Itália: caminhar no tempo, claro, descerei em Roma… dia 9 de fevereiro / uma data especial / um caos das lembranças.