OUTRA VEZ

Você foi o maior dos meus casos de todos os abraços o que eu nunca esqueci. Você foi dos amores que eu tive o mais complicado e o mais simples pra mim.Você foi o melhor dos meus erros a mais estranha história que alguém já escreveu. E é por essas e outras razões que a minha saudade faz lembrar de tudo outra vez. Você foi a mentira sincera / brincadeira mais séria que me aconteceu. Você foi o caso mais antigo, o amor mais amigo, que me apareceu. Das lembranças que eu trago na vida, você é a saudade que eu gosto de ter só assim sinto você bem perto de mim outra vez. Esqueci de tentar te esquecer / resolvi te querer por querer / decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade sem nada perder. ah!… Você foi toda a felicidade. Você foi a maldade que só me fez bem / você foi o melhor dos meus planos e o maior dos enganos que eu pude fazer. Das lembranças que eu trago na vida você é a saudade que eu gosto de ter. Só assim sinto você bem perto de mim outra vez… ISOLDA

Giro outra vez nos / em amores amados, escandalosamente, amados / livres. Eu me libertei do casamento amarrado com o bonitinho, aparentemente, sério. (Jesus! Assim formal, sem abraçar, beijar, apenas casar). Enfeitado boneco de ser como deveria ser… aquele famigerado noivo. Eu era alegria, o meu tempo. alegria a minha vida. Coração selvagem fiquei para sempre livre, inteira, não posso ficar presa… A juventude / a maturidade e a velhice sobem inteiras ao prazer de viver / viver… livre me fiz pessoa / gente. Fico enebriada com a música. o toque, o beijo e as palavras / coisas de amar e não esquecer, passar ou ficar, seguir, não importa… O amor é esta passagem: chegas, e sais, voltas, ou já não és. O amor tem recortes e fatias, indigestão? Às vezes, meu querido. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres (ter sobrevivido / ter me socorrido e amar tantas vezes a volta da vida derramar… encontrar, perder = viver). A minha viagem é dentro de mim mesma: ontem triste, nas lagrimas, hoje eufórica, livre… Aberta.)

SIMONE / Pedaços

o nome do disco: Pedaços! esta coisa velha e gostosa de colocar uma memória para tocar com orquestra e tudo. volto no tempo / entro dentro de mim mesma. estou a sentir, viajar dentro de mim, aos pedaços de amor / tão intenso! Claro Ivans Lins – Vitor Martina! Grandes!

Começar de novo. E contar comigo. Vai valer a pena ter amanhecido. Ter ,me rebelado / ter me debatido / ter me machucado / ter sobrevivido / ter virado a mesa / ter me conhecido

fico aqui sem palavras, sem saber dizer. então limpo a casa, termino de limpar a cozinha. passo álcool em tudo. agora eu me debruço dentro de mim, adoro sentir! Vou pra Filadélfia com Roberto / e sair por aí a viajar… estes são os pedaços de viver! tão bom! Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

Coisa boa que é a vida!

quem leu ANGÉLICA da Lygia Bojunga Nunes não deve ter esquecido de nenhuma palavra! Nadinha… a boa leitura, o bom namorado, o bom marido, os bons AMIGOS! eterna sensação feliz / claro! explicação, meu querido? a insignificância termina nela mesma… mesmo quando faz parte da decepção. Os equívocos se exibem, mas seguem equívocos. amados não morrem. o equívoca é anedótico, risível… quem não foi amado desaparece. perdas causam dor e mágoas, e apertam. são ausências permanentes…não amados, somem.

Coisa boa que é a vida! Ele era bem pequeno, não sabia direito como é que se vivia, andava louco para saber melhor; pensou um bocado, acabou perguntando: Como é que a gente entra na vida, hem? Tem porta para bater? E batendo… eles abrem? sempre abrem… (p.9 Lygia Bojunga Nunes Angélica. concordo, nunca deixam chaveada a porta, e também não explicam nada. a gente namora, a gente casa, a gente faz o que todos esperam que seja feito, sem manual de instruções. e derrama-se lágrimas aqui e ali, mas, o bom mesmo é viver… e o que se vive é tão misterioso que todas as histórias contadas não conseguem / não sabem medir… Coisa boa que é a vida! quem leu / lê segue na vida dupla de prazer / assim, eu? sigo batendo nas portas, as pessoas abrem, eu entro. experiência boa, porque as ruins não devem ser contadas / nem sublinhadas / às vezes, confessadas (é verdade)… o verão parece maior / mais longo do que o inverno, e a gente sofre do excesso dos dois, sente, porque a vida / estar vivo é assim mesmo / muito bom. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres / Carnaval se apresentando, suado carnaval, alegria e folia, afinal! dançar é muito bom mesmo.

querido

querido, meu querido: somos toda/qualquer aflição deste momento, logo dividido – não consigo resolver. multiplico, potencializo e volto a somar com a vontade de me sentir feliz outra vez. confiante serão vaidades ou encontro, desencontro. os teus, os meus desvios me parecem mais justos. na verdade, todos / tudo são, terrivelmente, cruéis e injustos… coisas da vida! é isso viver? dar voltas na lagoa, ver o sol nascer, a chuva cair e outra banalidade repetida como esta coisa de gosto /sabor / cheiro. eu gosto de viver, mas está tão chuvoso! Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

Púlpito

O que poderia existir de mais significativo? Porque o púlpito é sempre a parte avançada da Terra. Tudo o mais vem depois dele. É dele que se divisa primeiro a tormenta da rápida cólera divina e a proa deverá suportar o primeiro embate. É do púlpito que se invoca primeiro ao Deus das brisas favoráveis ou contrárias, para pedir-lhe ventos propícios. Sim, o mundo é um navio em plena travessia e que não terminou a viagem, e o púlpito é a sua proa. (p.75) Herman Melville MOBY DICK

humor carregado de tempestade e restrições: ataques de covardia internos. secretos pedidos de socorro velados… não quero entregar o leme / novas e velhas leituras, releituras, parecem me devorar… o corpo reclama, pequena dor, ambiciosa dor que devora a vontade… depois, ela mesma, sacode o tempo.. eu ia sair, eu ia caminhar, eu ia esticar as pernas mas o céu se movimentou (na já prevista tempestade) e jorrou água como se fosse mesmo o nominado dilúvio / e a minha arca está desfalcada… coisas de amanhecer esquisito. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres escaldando e agora tempestando. o aniversário é da amiga, o presente, os patos -, bem, o inesquecível presente, claro, e tem a torta de morangos chegando, ou cocas colas ou vinho, ou sei lá quantos mimos somados aos anos… virei mesmo uma menina mimada… obrigada minha amiga. obrigada.

superlotado

generalizar não, mas, … mundo vitrine sim. parque de diversão, ar e foguetes e festa: somo nós. coragem zero para escolher apenas uma coisa / um amor / um caminho, uma casa. superlotado de calor ou de frio… de um momento, um sentimento. arrastamos a festa conosco… nada de deixar qualquer coisa para trás. Não saio daqui, não sais daí, ficamos, cada um no seu posto. abrir mão? de jeito nenhum. queremos tudo, banquete, lindas roupas, o melhor chá, o perfume certo, a viagem perfeita… festejamos um dia depois do outro. poderia ser dito, escolhes ser tu mesma. o correto. mas não conseguimos, abrir a vida avesso e direto ao mesmo tempo. somos empurrados vida a fora pela dúvida pelo tudo. claro, o amor salva, o amor, o beijo, o abraço, a festa! difícil sentir compartimentado… o melhor é se deixar ir… Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres

muito muito muito calor…muito muito sol, muito verão… e ainda não é o Carnaval. Expectativa.

sobrevivência

uma pergunta desarrumada nesta minha tentativa de ordem: vivi tantos períodos de sobrevivência / susto e tomada de rumo mergulhada numa energia pequena temperada com alegria… se um dos agentes centrais me perguntasse queres voltar? vamos terminar de fazer as coisas juntos… pois é, deve ter muita coisa partida, eu diria, não não quero. insististe, tá difícil aí, terias facilidades, gosto e levezas… eu repetiria, não. não quero mais. e confessaria, eu nunca quis, foi passagem, foi ficando longo, cômodo, mas foi apenas ficando… desajeitadamente ficando. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres ( pensei, talvez ninguém me quisesse mesmo de volta… estou delirando)

envelhecer?

pois é, esquisitice esta de envelhecer! limpo esfrego faço a comida, sinto esquisitos cheiros, limpo mais um pouco. aspiro… não, não lavo as janelas, os vedros! coitados! estou cá a pensar no verbo envelhecer, como será envelhecer? e me surpreendi pensando, não sou eu, um dia vou fechar os olhos! custo tanto a dormi, fechar os olhos… mas, envelhecer? como será? e descobri:

envelhecer é ver o amigo, o companheiro, ver o outro envelhecer… e mesmo assim ficamos em dúvida, envelhecer é não ter mais planos, deve ser isso… hoje fui fazer bolinhos de arroz, eu adoro… mas a agora, agora estou me sentindo um pouco, só um pouquinho velha,

cansei de limpar, esfregar e catar o cheiro… pensei, estou envelhecendo? não. vou mergulhar na piscina, bater as pernas, inventar um nado… e sair bem guria. está terrivelmente quente, a feira eu fui, bem cedo, mas o calor! deveria ter ficado de molho no mar… coisa boa saber que mar e rio existem, e chuva, e trovoada, e verão… não, não vou envelhecer. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres – amanhã é o aniversário da Cristina, depois de amanhã minha amiga Luisa / e toda uma memória de festas atravessa meu coração!

todas as flores para festejar! os aniversários / as duas queridas, e esta alegria boa de viver!

Ah, era um par de asas! Como me sentia leve

E, antes de mais nada, dizia de mim para mim, cuidarei bem desta minha liberdade: levá-la-ei a passear comigo por caminhos planos e sempre novos e nunca lhe farei usar nenhuma roupa incômoda. Assim que o espetáculo da vida, nalgum ponto, se me apresentar desagradável, fecharei os olhos e passarei a outra freguesia. Procurarei ater-me, de preferência, as coisas que se costuma chamar inanimadas e irei à procura de bonitas vistas, de lugares aprazíveis e tranquilos. Aos poucos darei a mim mesmo uma nova educação, transformando-me com paciente dedicado estudo, de tal sorte que, no fim, possa dizer não só que vivi duas vidas, mas que fui dois homens. (p.99-100) Luigi Pirandello O falecido Mattia Pascal

este par de asas queremos todos nós, e nos educar mil vezes, também quero, ser muitas e ser eu, e ser duas ou três. como amar muito e diferentes pessoas, e tantas e todos e que amarei mesmo, ou amarei menos, apenas, quem eu sou, serei: o melhor jeito de ser gente, ter este cuidado atento a quem somos: tortos, desajeitados mas/ e conscientes. sou eu mesma, assim deve ser. e o lógico e certeiro caminho é poder me reconhecer no espelho, alimento a vontade alegre de ser eu. sim, reencontrar velhas e fortes e poderosas leituras é muito bom! Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2026 – Torres atrás dA Montanha Mágica de Thomas Mann eu desarrumei as estantes e esparramei o passado pela casa, cada livro, tem uma história de leitura, de prazer.

Ana Maria pai e mãe / Rio de Janeiro