
sempre presente, minha filha Ana Maria com a Ônix
brinquedo de correr e pegar, chegar e sair, motivo para levantar e ir, voltar para depois ficar… o movimento do dia tem este abrir e fechar como fluxo vital e repete / estou aqui / cuido / prsente! sei / penso e modifico. enquanto me encolho e espero o feijão se fazer perfume observo o tal colorido no entra e sai e vai… por que eu me surpreendo? sinto o frio chegar, bem, sem reclamações sérias porque todos gritaram ao mesmo tempo: basta verão! chega de calor! Rio Grande do Sul, o estado que explica as estações do Brasil…Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2026 – Torres
quase nada ou tudo: a criatura / eu / acorda e se pergunta: onde coloquei o meu cachecol preferido? depois de procurar, procurar, pensa que passar um café vai reanimar… bingo! encontrei… nas costas da cadeira, logo ali… não, não estava nas gavetaem baixo dos travesseiros ou perdido.
coloco o feijão para cozinhar, na panela de ferro e vou pensando no assado, na couve que não comprei, na caminhada que eu devo fazer… a poeira me inquieta… não, meu querido, não podes imaginar a loucura de tirar o pó ou limpar, limpar… já fez parte do meu imaginário… tudo no lugar certo flores iluminando a sala. eu a imaginar o livro, a história. escrever e disciplinaas próximas três horas recheadas de entusiasmo. cadê o tal entusiasmo? será que eles, os políticos, se acertaram nas derrotas, ou semearam os canteiros o que será sério? quando foique D. Pedro imaginou Brasil? republicano… não, não sei dizer o que penso ou sinto escorreg para tristeza de João // faço frases, faço fila na quitanda, e vou dar uma volta na praça. um dia de sol hoje. o edifício cheio de cães que sobem e descem, as vozes do feriado me acordam cedo apesar da insônia. ainda me chamo Elizabeth M. B. Mattos – 2026 – Torres

votre lettre, que j’ai reçue hier, m’a fait grand plaisir
doer na cor do tempo / infelicidade da doçura de viver, porque estou aqui e agora e posso ler o que me escreves e te dizer o quanto te amar pode ser perfeito… feito
não consegui repassar tuas cartas, eu te sei noutro mundo / colorido / teu / desaguado no passado / presente de retomar, eu te compreendo, meu querido. tu te achas, eu me perco e me reencontro. um beijo Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026 – Torres
às vezes importa perder para situar o tempo numa possibilidade…
caminhada forte, altiva, corajosa com finalidade. cumprir a missão, o fazer torna possível, os músculos fazem sentido e não pesa nem alma, nem os pés… eu posso caminhar muto e sempre. eu fui até a Prefeitura buscar minha Carteira de Identidade atualizada / e Título de Eleitor. sim. eu vou votar. nunca votar foi tão significativo e importante! eu vou conseguir… nós vamos conseguir. nós precisamos conseguir….Elizabeth M. B. Mattos abril de 2026 – Torres
estranheza… lembrança não definida, presença. sim, mês de abril tem som de canto. uma alegria saltitante… agora, nos meus longes, no meio da luz, eu me perguntava o quê? por quê? e foi se arrastando, passando… entreguei! não me preocupei mais em lembrar.
constato: mãos dadas, é isso, mãos dadas.
na preguiça da madrugada esquecida, alguém rebimbou / aniversário. aniversário pode ser sempre desenterrar uma história de alegre lembrança… boa, sim, as que nos terrificam caem direto no poço, já não são mais lembranças mas sustos, pesadelos indefinidos. o meu tem sempre o não chegar…
sonho preguiçoso, colorido e ansioso. eu voltando, querendo voltar sem chegar. pensei, como é recorrente este sonho / diferentes lugares / situações mas o mesmo: quero voltar mas não consigo, são inacessíveis os caminhos. fico sem sapatos, sem dinheiro, atrapalhada, transparente no meio da corrida de todos voltando… um alguém gentil me ajuda, (sempre tem uma gentileza) fico satisfeita / grata… mas termino noutro trajeto complicado. acordo /// o sono manhã me acorda cheio de preguiça… credo! foi esquisito o percurso… Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026
zelar pode ser essência do amor: devagar, olhar, então amar: filhos, vida, casa, ideia mesmo de te gostar / iluminar o caminho, acolher. EMBMattos – abril de 2026 – Torres
pois, meu amado meu querido = silêncio e contenção. por quê? não sei. não te esqueço por dentro, não te esqueço… faço chover, faço sol, faço tedio e faço risos… não te faço chegar. assim mesmo eu te espero. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026 – Torres
um poema de Murasaki Shikibu:
“Se entre nós não há noite que nos separem, por que o dia haveria de ser tão ofuscante?”
sim, seguindo a rotina, meu querido, encontro o meu amigo hábito. dou uma volta na quadra, faço a comida. muitos e muitos banhos, adoro água e odor. ah! me atraem… persigo pessegueiros carregados, goiabeiras a se rirem… estou a pensar nas laranjas, bergamotas, comprei limões, amarelos, verdes e peguei uns desmaiados também, solidária… sim, cada pedacinho de vida refeito na rotina. Elizabeth Menna Barreto Mattos – abril de 2026 – Torres
não tem ponto final. tem a intensidade do contínuo // o que eu esperava? não envelhecer? seguir amando, reencontrara e… amar um pouco mais? continuar a escutar música muito / bem alto, voltar ao francês, apreender inglês. sorrir e brindar como se tu estivesses sempre lá, aqui. abro a porta… tu me dás um beijo perdido / outro demorado /agora, ou no tempo de tantos anos?
…a querer o final da história de amor, a minha história fica. a calçada fica. o temporal fica. tu estás de costas… visão filosófica, inquietante. amontoei rejeições, espanei a dor, mas qualquer coisa incomoda… ah! estes cacos/pedaços de vida! pensei, suponho, acho que deveríamos usar a técnica de colar vidrinhos / como se chama isso? não os de igreja, cacos de vidro / coloridos ou não, misturados numa poeira que se transforme em massa, depois objeto. sim, este processo dos amores desfeitos deveriam ser colocados na prateira em forma de vaso, de luxo, de lembrança, caixa. // ia ficar bonito assim , enfileirado o passado: JCKCM Antônio JMKHJHJCL Alcibíades CMD Paulo / Flávio encantado, os meninos da rua, as meninas das calçadas, as braçadas na piscina de Petrópolis / a volta para rua Vitor Hugo, 229. ah! a história que quero contar / esta engasgada meninice florida, livre. juventude festejada: o tempo e a volta, minha amiga Sonia Maria! ah! as amigas que existem… eu tive preciosas e generosas amigas!
Forma delicada, intimista gesto / as palavras se recolhem num susto, ou se explicitam? dança misteriosa, rítmica, sai assim, enquanto balanço o corpo. memória suada, se interrompe a cada susto, flutua. a vida! este cotidiano sereno // a substância está dentro, e se agita criativa, mas tímida. paradoxal.
lento e morno este tempo… viver tem um gozo inexplicável! Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026 – TORRES

