os treze anos, os quinze ou os vinte sete anos…

Os dias chamam para o Natal… Para o nascimento, o recomeço, a confirmação de sermos irmãos. Tempo de acreditar em sinos repicando de alegria, rezas, e na natureza que conversam. Corações abertos a confraternização, nos recolhemos no desassossego… No vestíbulo entre forasteiros, inquieta neste tempo avassalador que substitui o promissor da vida… Por quê? Expectadora, ou mensageira num eterno ir e vir, sem respirar… O ano de 2013 sinaliza… Aberto aos pequenos novos cidadãos, irmãos. Talvez os treze anos, os quinze ou os vinte sete anos destes jovens sejam sinaleiros para mim… Rezo, e desejo que eles consigam abrir a beleza… Não me conformo com as mortes prematuras de tantas crianças que mancham a América, nem com a violência do Brasil lacrada pela droga, o veneno… Por onde abriremos as novas picadas? Como serão as novas orações?  Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2012 –

Em que lugar está a fé? Talvez,  como escreve Mariás:

“a consciência das minhas horas mortas me deprime imensamente… “

Assim mesmo quero que nós todos tenhamos um Feliz Natal!

“O próprio vestíbulo do hotel, por definição repleto de forasteiros, de gente – como eu – de passagem, produzia-me infinito desassossego e inveja: todos, até os que estão visivelmente esperando, descansando ou matando tempo, dão a impressão de saber tão bem a que se propõem, todos parecem tão atarefados, tão decididos, tão a ponto de ir para algum lugar cuja existência adquire sentido por aguardá-los, tão absortos em suas atividades presentes, ou iminentes, ou sonhadas, ou projetadas, que a consciência das minhas horas mortas me deprimia imensamente (…)”

p.29/ O homem Sentimental de Javier Marías

Grama molhada

Sono profundo… Não vi a tempestade passar. Árvores danificadas, objetos voadores, e muita água pesada se faz presente na grama úmida. Folhas lavadas, calçadas tomadas…

A manhã é fresca, e os passarinhos se agitam. Estou de volta.

As notícias descem lentas entre dívidas, futebol, assassinato e roubo. Nada mudou. Onde estão as crianças americanas?

DESENHO

FrancoIsabellaAntoniaStellaJuliaMariaEduardoAnaClaudeMiguelRobertoFlávioFranciscoArthur

MarinaJoãoLucasPedro

JoséGuilhermeLuisLuizaAntônioCarlosRicardoMagdaSandraIsabelMartaLIla.VidaCorDoceAzulVerde

LeonardoAmareloVioleta

AnêmonaMaracujáChuvaTrovoadaLuzSaudadeAmadoOlharCasaFogo.Luz e tanto mar…

12/12/2012

DESENHO do Lucas

Partida Definitiva

Ontem à noite, depois de sua partida definitiva, fui àquela sala do térreo que dá para o quintal, ali onde sempre fico no mês trágico de junho, esse mês que inaugura o inverno.

Havia varrido a casa, limpado tudo como antes de meus funerais. Tudo estava limpo de vida, isento, vazio de signos, e depois me disse: vou começar a escrever para me curar da mentira de um amor que se acaba.

p.44 / O Homem Atlântico/ Marguerite Duras

Editora Record

Bilhete

Bilhete

Espero o silêncio. O eventual, não, o impossível. Devo confessar que o apartamento se alarga com vozes, buzinas, freios salientes… Que música! A sala se transforma na calçada, passarela apressada das pessoas.

Vou comprar um quintal com cinamomos e cerva viva. Cães, gatos e passarinhos, grama verde e perfume! Que luxúria! Transito entre a dúvida das certezas! Gosto deste meu eu, mas preciso das pessoas, do movimento, da fala, da expressão, da loucura dos outros junto com a minha. A contrapartida natural da minha cabeça na cabeça do outro. Interesses comuns, a mesma visão, o mesmo mar, e as mesmas andorinhas no fio de luz. Não, não posso ficar a reproduzir desta forma o meu duplo. É preciso janelas abertas pro vento, pro sol, pro norte e pro sul, mesmo quando nada compreendo.

Não adianta mudar de casa, ou esconder-me, tampouco dançar na rua… Trabalho duríssimo este de ser homem! Conhecer limite, e caminhar. Comer pipocas no cinema. Isto não aceito. Tirar os sapatos sim…

FrancoIsabellaAntoniaStellaJuliaMariaEduardoAnaClaudeMiguelRobertoFlávioFranciscoArthurMarinaJoãoLucas

Cabelos crespos espalhados pelos ombros. Olhos maiores do que já são. Rosto marcado pela intensidade necessária da expectativa. Nela, tudo transborda. A boca entreabre-se na fala da alegria. O corpo despejado no promissor amanhã. Rede mágica e lenta: maternidade. Limpidez, graça. Felicidade. Confiante, amorosa.

A vulgaridade humana se minimiza. Estou sendo incisiva? Perdidos os valores esbarramos nas aparências: beleza, lucro, dinheiro… E poder. É o combustível. Surpreendentemente perdem-se referências interiores, se é que um dia existiram. A introspecção, a individualidade, ou necessidade dela. O espetáculo importa mais do que a vida. Há que haver a manchete, a televisão, o microfone, o aplauso, e o palco. Pobres! No jogo de luz e sombras o texto.

A essência está acorrentada na caverna.

A semente do possível está na gravidez, neste bebê que está chegando. Jubilo. Renovação!

FrancoIsabellaAntoniaStellaJuliaMariaEduardoAnaClaudeMiguelRobertoFlávioFranciscoArthurMarinaJoãoLucasPedroJosé

GuilhermeLuisLuizaAntônioCarlosRicardo

Ao vento

Estudar ler. Música bons espetáculos apreender o prazer. E desfrutar do ócio. Não é sempre possível. Importa ser. Perseguir o tempo sentir o sol o vento o mar a chuva, e crescer! Elizabeth M.B. Mattos

Ao vento

Crueldade

Histórias que não se escreveram, ou não foram lidas estão em cartas decifradas. Nas lacunas… O passado tem sabor. Morada. Atualidade. O que passou nos transforma nas pessoas que somos, neste hoje / neste agora. Na carta a fresta. Porta entreaberta. Desafio. Não te preocupa em magoar, ou recuar, ou não avançar. Defesa subjetiva. Nela está crueldade…Elizabeth M.B. Mattos – dezembro 2012 – Torres

oai deki te ureshii desu

My poor heart is sentimental / Not made of wood / I got it bad, and that ain’t good

Meu pobre coração é emotivo / Não é de madeira / Doeu pra valer e não gostei

Duke Ellington, 1914

 

Um Hotel na Esquina do Tempo

Jamie Ford. Editora Nova Fronteira

 

oai deki te ureshii desu quer dizer tudo bem com você, linda? em japonês.

wakarimasen – não entendo.