
Em 1955, Jango se elegeu vice-presidente com meio milhão de votos a mais do que Juscelino.
ZERO HORA – 7 de dezembro 1996

Em 1955, Jango se elegeu vice-presidente com meio milhão de votos a mais do que Juscelino.
ZERO HORA – 7 de dezembro 1996

” Há qualquer coisa de misterioso para além da carne, irredutível pela carne. Talvez porque só se possui realmente dum ser aquilo de que se conseguiu impregná-lo, e o esforço que se faz para extrair da espessa crosta que é a carne, o mistério do espírito que procuramos, não consegue mais que levar-nos de volta à posse de nós mesmos. Só os amantes sabem que possuir é apenas uma palavra, e nisso consiste o desespero.” (p.35)
Presença de Anita – Mário Donato – Livraria José Olympio Editora S.A.
A História do Automóvel
O automóvel que conduziu a governadora Yeda Crusius no Desfile Farroupilha, o Stutz 1928, integra o patrimônio público do Estado desde 1931 quando o governador Flores da Cunha o adquiriu. A porto-alegrense Míriam Palazzo refere detalhes dessa transação. O carro pertencia a Pedro Alexandrino de Mattos, comerciante de origem portuguesa, trabalhava com tecidos e fornecia mercadorias trazidas da Europa para o comércio gaúcho. Bem sucedido, possuía várias propriedades, entre elas as terras que hoje integram o Parque Saint-Hilaire. Nos fins dos anos 20 e começo dos anos 30, foi alto dirigente do Banco Popular. O carro era usado para conduzir a família, que residia na Rua Jerônimo Coelho, em seus compromissos. Com problemas decorrentes da instabilidade política e da participação nos episódios que mobilizaram o Rio Grande do Sul e o País naquele período, Pedro Alexandrino de Mattos decidiu vender o automóvel. A história desse que passou a ser conhecido como o veículo dos desfiles e que está exposto num dos salões do Palácio Piratini é confirmada pelas netas vivas de Pedro Alexandrino: Esther Costa e Ilka Ferreira Palazzo. O histórico automóvel foi produzido pelo norte-americano Harry Clayton Stutz, que deu seu nome à marca. A produção se encerrou em 1935.
Na foto de família: Pedro Alexandrino Mattos e Rita Menna Barreto Mattos (a partir da esquerda. Esther, Ida, Roberto Menna Barreto Mattos (ainda menino) e Flávio M. B. Mattos.
Outra foto antiga do carro em uso da família Mattos.
Roberto no Stutz com os amigos, e dificuldades…
Resolvendo o problema.
Roberto Menna Barreto Mattos na ‘Chácara’ hoje Parque Saint Hilaire.
Porto Alegre – Rio Grande do Sul
Pedro Alexandrino de Mattos
Eu



Última hora: Não vou a Santa Maria.
Querida Beth,
Porto Alegre, 13 – 2 – 1990.
Tua carta tem uma presença quase física, nela tu revelas a alma. Gosto de te ouvir. Gosto de te sentir perto de mim. Espero que o muro de Berlim que nos separa, termine por ruir. Não é compreensível, hoje, uma atitude machista, medieval. Não se pode aprisionar um coração. Eu te recordo sempre, com um carinho de amigo, mas a recordação, a lembrança não tem a concretitude do agora, que é o presente da vida que flui. O agora é este momento que já não é mais, quando acabo de pronunciá-lo. O tempo é um rio que nos arrasta, que nos leva para o nada. “Somos seres transitórios” – nos diz Dickens. A certeza desta transitoriedade nos deveria tornar mais vivos, mais atuantes, mais independentes. Somos no fundo bois de carga, passivos, domesticados, vivendo de mentiras. Não sei por que enveredei por este assunto. Amiga, eu sempre procurei e procuro a verdade das coisas, tenho um sentido metafísico da vida. Às vezes atravesso períodos de profunda depressão, sem motivo determinado, objetivo. Estranho e limitado é o ser humano, incapaz de entender o seu próprio ego. Não raro sinto-me como meus ciclistas, que vagam por um mundo deserto, morto. No fundo, querida Beth, eu sou eles. Mas eu tenho que dizer, tenho que pintar a verdade porque só ela importa! E a beleza? Talvez verdade e beleza seja uma só coisa. Gostaria que visses esses meus últimos quadros, esses ciclistas de que falo. Não sei o que foi exposto aí em Santa Cruz. Talvez sejam serigrafi-as ou desenhos. Estamos planejando ir a Santa Maria na próxima se-mana, se não começar a chover adoidado. Gosto de rever aquela cidade e, principalmente, reencontrar os poucos amigos que ainda me restam. Para mim é santo o lugar onde estão os meus mortos. Ah, seria bom se na passagem pudesse te ver aí em Santa Cruz. Para ser sincero eu re-ceio os ciúmes do teu marido. Eu não quero te criar aborrecimentos. Não quero magoar ninguém. Eu seria feliz se tu pudesses vir amiga, com muito carinho – o Iberê –
Não esquece: eu te quero muito bem.

CONVERSA com Iberê
Lizette Lagnado:
Para escolher ter aula com um artista é preciso admirar sua obra? Como Llote e De Chirico impregnaram um pensamento sobre você?
Iberê Camargo:
Não admiro a obra de Llote. Cito-o como teórico e grande professor. Com De Chirico sinto afinidade porque também expresso solidão e o mistério que envolve as coisas.
Lizette Lagnado:
Num período em que a educação artística só era possível através de reproduções, você diz que foi importante, quando viajou para a Europa, ver um Rembrandt ou um Picasso ao vivo. Se pensarmos na formação da geração atual, este fato ocorre bastante tarde em sua vida.
Iberê Camargo:
Uma viagem ao velho mundo, raiz de nossa cultura, é sempre importante. Ver o original de uma obra é dispensar o intérprete. Não se trata de cedo ou tarde, mas o de saber ver. Milhares de pessoas desfilam pelas galerias do Louvre, olhando sem ver. Newton descobriu a lei da gravidade refletindo sobre a queda de uma maçã. Quantos antes dele foram atingidos por objetos que caíram do alto, sem jamais questionarem a razão da queda. O conhecimento enriquece, a ignorância deprime. (p.21-22)
Conversações com Iberê Camargo – Lisette Lagnado – Iluminuras – 1994
“Por que tanta donzelice, tanto pejo em relação a escrever? Certamente porque escrever é, em princípio, ato tão íntimo quanto a masturbação, com a qual guarda notável parentesco. […] Essas ilusões mundanas, engraçado, muito pouco têm a ver com a nossa luta silenciosa e, sobretudo, com nossas angústias. Felizmente, esse diálogo com o papel em branco, com o teclado, não é só isso, luta e angústia – é também um grande gozo. É dessa maneira que justificaremos nossa existência? De que tamanho é nosso equívoco?[…]
Gostaria de levar minha dúvida ao Nilton; que ele explicasse a visão que tem de mim, de que sou um escritor. Afinal, o erro de pessoa é o mais trágico – ou tragicômico – dos equívocos.” (p99-p103)

Todo o capítulo oito de A Idade da Paixão se estende sobre escrever. Ser ou não ser um escritor: prazer, solidão e gozo.
O livro ganhou o Prêmio Jabuti Melhor Romance. Merecido. Rubem Mauro Machado agarra o leitor. Edição da Bertrand Brasil 2006.

Vitório Gheno homem-pintor de vida e produção intensa! Reconhecido artista. Retrata seu mundo com posição crítica. Aldeias Urbanas ou Ilustrações Gráficas de livros e revistas nos revela o melhor do artista. Retratos ou Crônica da vida cotidiana. É mestre. Nesta exposição da série FILEIRAS agrega e renova. Bom no traço, na cor. Artista completo. Hoje da GARAGEM DE ARTE rua Luciana de Abreu, 450 – Moinhos de Vento – Porto Alegre. O evento.
Facebook: Nádia Meucci