Re talho

Depois que nos falamos o corpo despertou inteiro. Devo acionar o computador para começar a escrever uma carta, e enviá-la às pressas. Contudo, exausta insone sinto apenas o borbulhar do desejo retalhado. Entra  no sangue: sentimento emoção. Transfusão. Desejo! O pecado leva ao inferno. Toas as cartas de amor são  ridículas, já  disse Fernando Pessoa, e não seriam de amor se assim não fossem, ridículas. Janelas sacodem acompanhando o vento, cortinas levantam. O ar gelado entra. Pálpebras descem pesadas. O corpo cai no sono, respiração solta. Estamos encolhidos nas cobertas. Um dia, não mais do que este dia. E, vestindo as roupas devagar, já nos vamos despindo um do outro. Silêncio. O corpo incha no calor, depois murcha como fruta passada … Resseca e aquieta. Envelhece. Elizabeth M.B. Mattos outubro de 2012 – Porto Alegre

3 comentários sobre “Re talho

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