Tua mão na minha mão

Sol! Vem me buscar. Pega o braço, o corpo. Beija a testa. Aquece a dor. Depois quebra a luz pra ficar noite, pra nascer de novo na água do rio da Restinga Seca que brotou na pedra… Da história te entrego texto fechado: cartas,  fotos, nós. Do espaço às caixas, e das caixas presas nas pilhas outras caixas… Solta o braço, bebe a música.Deixa cair tua mão na minha mão. Elizabeth M.B. Mattos novembro de 2012 – Torres

Porto Alegre, 31 de julho 1987.

Querida Beth,      

Pensei que tivesses te esquecido de mim. Há muito que não recebia notícias tuas. Tua carta  – nela tu estás inteira –  me reacende a saudade. Vejo que te jogas de corpo e alma nos teus afazeres, talvez querendo fugir à monotonia da vidinha de província. Eu te compreendo. No interior até o pensamento para. Há no ar um sossego pesado que sufoca. Nesse ambiente é impossível criar. A gente termina mugindo como boi. Porto Alegre também oferece muito pouco. Beth, vivemos num país pobre e choco. Somos pobres, principalmente de cabeça. Talvez tu me aches um pouco amargo e cáustico. Remeto-te dois convites das exposições que realizarei no Rio e São Paulo. Pelas reproduções poderás ver o que faço, isto é, como vejo o mundo. Sei que a minha visão é trágica, sombria. Porém, eu digo a verdade. Beth, eu te quero muito bem. Não esquece isto. Estive em Montevidéu onde fiz uma exposição de desenhos, oportunamente te remeterei xerox do que disseram os críticos. Escreve sempre que for possível. Eu te abraço com o carinho de sempre o Iberê.

                                                    

 

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