Telegramas

Posso ver baleias! Dezoito ou mais, filhotes! Entre lobos marinhos, e rocha. Baleias em Torres! Penduro quadros, encero móveis. Lustro as pratas. Espaço no armário. Roupa passada, empilhada. Discos de Mozart, Brahms.  Canções francesas, Violeta Parra. Marceneiro, prateleiras, eletricista, luminária! Amanhã? Não sei ao certo… Um telegrama. Depois outro…

“Só quando rapaz é melhor amar sem paz; mas já, mais tarde, como agora, quero tranqüilo comer amora pra que todos vejam Gaal me namora, menamora.”

Não me leves os pedaços -, antecipo, impregnada de ausência! Encero, limpo, lustro, espero. Compro violetas.  Luz verde na fresta da janela. Venta nesta primavera.

“Quando a quem ama só resta telegrama, até mesmo o beijo escreve-se com o desejo de que o papel tenha gosto de mel; saudade aperta, mas abraço não deserta mesmo que no dia 12 não esteja aí, estarei ao teu lado, contigo, todos os momentos.”

“Para que perdure andar do amor de abraços beijos toques alma, terminantemente proibido refrigerantes, comida salgada, álcool em suas várias modalidades; além todas manualidades exclusivas vida íntima.Pretendo inspeção ocular após dia 25. Beijos, Saudade.”

“Descomunal saudade Gaal, mas não quero apurar viagem; pois necessito tentar vender imóveis agora pra não voltar rápido permanecendo eu lado todo o tempo. Mil beijos. Gafa.”

Conjugo o verbo esperar no Presente, Pretérito e no Futuro do Presente e no Futuro do Pretérito: espero, esperei, esperarei e esperaria.      

“Apaga incêndios, contém emoções, evita suicídios, homicídios, afogamentos. Enfim, explica aí. Quem interessar possa que não se aflijam além limites porque poucos dias mais estarei chegando. Beijos. Saudades.”

“Difícil resolver alguns detalhes aqui. Talvez não esteja aí data pensada. Tento cumprir pé da letra, sugestão entregar tudo, mas, burocracia demora obrigando adiar. Beijos, abraços. Quero envolver Gaal. Estejas tranquila  Estou sozinho.”

“Retido. Retido. Faço mil planos contigo para julho, também, depois tentando sonhar preciso Gaal pra vencer letargia tomou conta de mim; estarei aí máximo primeira semana de julho esperando até lá te cuides: corpo e alma, cabeça já que coração é ingovernável mesmo. Mil beijos, milhões de abraços.”

“Adiamentos viagem aumentam saudades. Vontade sentir-te estar contigo; demora não é desamor ao contrário. Tardo por querer ganhar tempo extraviado anos não te conheci. Beijos.”

A palavra cresce. Salta. Estanca. A veia sangra. Letargia no espanto do vazio da tua ausência. As chuvas do inverno. Os ventos… É o mar sem baleias. Estou pronta, tardas… Albertina não chora, espera…

8 comentários sobre “Telegramas

    • Bete! gostei ! que forma bonita de escrever,parece o balanço do mar e a agitação da chegada ou da espera? fui levada junto.Estou aqui em P del E com uma Internet muito lenta….então não tenho acessado muito o FB daí a demora em responder. Bjs

    • É importante cada palavra de vocês. Coragem pra escrever. Obrigada Walter. Como escreve um amigo:

      “Capítulo completo. História incompleta
      – todas as histórias podem continuar; ou não.
      Gostei texto.
      Bom.”
      Obrigada!

  1. Beth tds os textos são lindos ,continuo acompanhando por aqui tua tragetória , sucesso querida amiga !!!!!bjsssss

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