Tudo te é falso e inútil

014

carta um ibere camargo

“Porto Alegre, 19 – 9 – 92.

Querida Beth,

O vento não sopra, o pássaro não canta, o céu está mudo e Beth não fala.Não sei o motivo desse silêncio inquietante, como ele sempre é, seja de pessoa ou coisa. O sol nasce, o sol morre, e eu e meus ciclistas continuamos numa caminhada sem fim. Para onde?  A meta, o horizonte é uma linha de mentira.

            Meu último quadro tem este título que vem de uma poesia de Fernando Pessoa: – “Tudo te é falso e inútil .” O passado, um montão de sucata envolto nas brumas da memória.

            Fala, Beth. Estou muito triste e deprimido.

            Há mais de quinze dias que estamos sem motorista. Diz ele que está com catapora ou coisa parecida. Como estou com o braço direito meio travado, devido uma artrose ou outra porcaria qualquer trabalho com dificuldade e não dirijo carro. Como vês estou preso. Não sei quando poderei por este bilhete no correio. Vida difícil!

                        Abraços e muito carinho

o Iberê.”

015

IBERÊ CAMARGO  – FUNDAÇÃO IBERÊ CAMARGO

Manuscritos. Correspondência. Acervo de um artista. Sinto saudade de nós dois. Das palavras, da voz. Iberê levou arte para a ElizaBeth da fazenda de Rio Pardo para Santa Cruz do Sul. Do Rio de Janeiro a Porto Alegre, e depois Torres. Trinta e tantos anos de missivas fidelidade, e amizade. Elizabeth M.B. Mattos

CARTA IMPORTANTE IBERE CAMARGO

fragmento ibere camargo

mesa preta com ibere camargo

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