Olhos com vendas

“Durante muitos anos, Marianne deixou que uma parte dela ficasse sem uso. Tudo que uma educação tradicional sufocou. Sua visão de vida foi construída sobre convenções e falta de fantasia; o amor, em grande parte, era um sentimento de dependência. Ela tentou apoiar sua vida em outro ser humano, com a crença otimista de que ele tinha força bastante para ambos” (p.178)

Liv Ullmann neste texto explica Marianne, personagem de Ingmar Bergman em Cenas de um Casamento. Velha e nova mulher! Ainda hoje apoiamos toda a vida numa única pessoa. O casamento é o indivíduo, tudo o que ele nos proporcionar: dinheiro, sexo, risadas. Não importa que valor. Juventude, influência, segurança. Aquele elo da chamada felicidade que não está na própria pessoa, mas no outro. Poder. O único condutor. Sem julgamentos, apenas convenções.

Algumas fazem o que Nora fez. Batem a porta atrás de siNora fica à porta e diz: ‘ Não sei o que será de mim. Não sei para onde vou. Só sei que não posso mais me incomodar com o que os outros dizem. Preciso encontrar meu próprio caminho. ’ Não é aí que estão as possibilidades da vida? Não necessariamente chegar, mas sempre estar a caminho, em movimento.” (p.179)

Na literatura encontram-se personagens da vida real, ou vice versa. É curioso nos reconhecer, ou identificarmos a Sonia, a Maria Helena, a Ismênia, a Lúcia… Olhos vendados! Não é preciso entender…

Nora personagem de Casa de Boneca de Henrik Ibsen.  Liv Ullmann interpretou Nora no cinema, e no teatro.

Mutações –  Liv Ullmann – Editora Nordica – 1978.

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