Banco Colméia

POLTRONA BURLE MARX

A poltrona BURLE MARX, da LATTOOG, é um dos sucessos: encaixes de madeira aparentes têm cortes que remetem ao traço do paisagista que dá nome à peça.

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A base lateral MARIPOSA dá um charme diferente a qualquer ambiente: criação da Laattoog Design em 2010.

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Em seus trabalhos, Leonardo e Pedro apostam na criatividade. Em cada uma das peças há um grande apelo estético. “Sempre que vejo peças legais aproveito para meus projetos. Já usei a Pantosh em vários deles, tanto em apartamentos quanto em escritórios” atesta o arquiteto Leandro Esteves, fã das peças da LATTOOG, fazendo referências às cadeiras e poltronas Pantosh, que nasceram a partir da fusão dos conceitos de duas peças premiadas: a cadeira Panton, do arquiteto dinamarquês Verner Panton, datada de 1968, com a poltrona Willow, do arquiteto escocês Charles Rennie Mackintosh criada entre 1902 e 1904.

Os criadores dizem que a Pantosh faz parte da série chamada Viralata, que é composta por diversas peças entre móveis, objetos e elementos arquitetônicos que são resultado de um processo de “cruzamento” entre móveis e objetos. A ideia, que traz referências fortes das raízes da cultura brasileira, recebeu o Prêmio Idea Brasil em 2009. Foi, também, finalista das premiações do Museu da Casa Brasil 2009 e da internacional If Awards 2009, em Frankfurt, na Alemanha.

A última peça premiada foi a Poltrona Temes, que venceu, em 2011, o Prêmio TOP XXI em São Paulo. O desenho também nasceu da fusão de dois ícones do desing moderno: a cadeira de Joaquim Tenreiro, projetada entre os anos 40 e 50, e a La Chaise, de Charles and Ray Eames, feita em 1948. O empresário Rogério Noel, da Casa e Forma, no Bingen, diz que as pessoas, hoje, já se preocupam com o valor agregado dos móveis. “O consumidor procura algo mais no móvel. Ele quer tecnologia, desing, qualidade. O móvel tem que ser durável e também ecologicamente correto”, diz ele, citando as peças da LATTOOG.                          

Lattog Desing é,hoje, uma das principais empresas de criação e fabricação de móveis no Rio. Tem a frente a dupla carioca Leonardo Lattavo e Pedro Moog, que criou seu primeiro móvel em 1999, muito antes da formalização do negócio. Era o sofá KNOT, que ainda hoje é uma das principais peças da Lattog Desing. Pedro e Leonardo contam que entre 1999 e 2003 o design e fabricação de móveis eram atividades secundárias para a dupla. Só em 1003, ao ver a capa da revista italiana com um móvel dos Irmãos Campana criado em 2002 (o sofá Boa), perceberam que deveriam levar o negócio mais a sério. Isso porque a criação tinha conceito  similar ao sofá Knot. Em 2004 a dupla começou oficialmente a produzir móveis, objetos e a fazer projetos de interiores. Em 2005 surgia o nome LATTOOG uma fusão dos sobrenomes dos dois sócios (Lattavo e Moog) – que sintetizaria o processo criativo da dupla que buscava, apesar das muitas diferenças, uma única coisa, originalidade. Apesar de pouco tempo de existência a Lattog já faturou vários prêmios e conquistou espaço em publicações nacionais e internacionais de design. Também participou de exposições dentro e fora do país,entre elas a Global Edit, em Milão, na Itália, com uma seleção de designers feita pela revista Wallpaper.

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O banco Colméia, ao lado e no detalhe, acima, revela um grafismo semelhante ao visto em peças de artesanato.

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CASA&CAMPO, março 2013

LATTOOG

A CARA DO RIO

Móveis com a cara do RIO

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Novos DESIGNERS CARIOCAS ABUSAM DA CRIATIVIDADE E CONQUISTAM O MERCADO

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 Não é de hoje que móveis de designers brasileiros fazem sucesso no mercado. Humberto e Fernando Campana – mas conhecidos como os Irmãos Campana  – e Sergio Rodrigues, por exemplo, ganharam fama nacional e internacional abusando da criatividade em seus trabalhos e, hoje, servem de referência para os mais jovens. é o caso de LEONARDO LATTAVO e PEDRO MOOG, que há sete anos criaram a LATTOOG. Apesar de pouco tempo no mercado, eles já tiveram peças premiadas em concursos dentro e fora do país e estão entre s mais requisitados do mercado.

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  A POLTRONA PANTOSH, criada pela LATTOOG foi premiada em 2009.

APAIXONADA

É o texto, ou as alusões que desbravam o escritor? Como não sublinhar “apesar disso agita um poço de escuro sentimento dentro dele”? Cito, retomo, penso, divago. Como não pensar neste poço de sentimento que cada um carrega, incomunicável… E logo remexer no meu próprio poço, nos meus próprios sentimentos! “Não é bonito, mas fala como beleza, imperiosamente.” Quando a beleza é imperiosa? Quando me debruço numa emoção fervente, quando através dela tudo de melhor aflora, conversa e se manifesta? Por que eu me encanto com os olhos negros, profundos daquela pessoa, e ou desdenho os luzeiros de um olhar azul? O que estou a dizer ao sentir a beleza como força imperiosa?  Como explicar J. M. COETZEE sem devorar, e devorando os livros recortar como se fosse um quebra cabeça a ser refeito? A leitura tem este lúdico dentro da gravidade. Embarcamos. Sem passaporte, com toda a bagagem permitida. Volto a casa com bagagem mais volumosa ainda. Mais pesados volumes porque retorno com as minhas coisas, as dele, e toda a África do Sul empacotada. Todos os livros indicados a outras leituras.  É preciso ajuda de muitos homens para que eu consiga colocar os fardos em casa, e muitas horas, dias para abrir todos os caixotes. Assim é a leitura. Uma viagem surpreendente, que se alonga por tantos anos! Queria vê-lo… Queria ter autógrafos, mas estou aqui, sentada, longe, imóvel… Amontoo saudade, e já releio, aos pulos… Ele estará tão perto! Na  Universidade Federal do Rio Grande do Sul, hoje. Conversando com quem estiver lá, o COETZEE. Como mencioná-lo sem exibir duas palavras, três ou quatro? Como visitá-lo sem ler, e lendo esquecer, e assim recomeçar a ler por um motivo pessoal, mas também por todos os motivos que existem palpáveis? E eu diria: “Será que a sombra dela já está guardada em seu escuro interior? Quanto tempo mais até ela se revelar? Quando se revelar, estará preparado?”

                                             

 “De onde vem esta força, esta forma amorfa que não tem nenhuma semelhança com a Espanha nem com nada, mas apesar disso agita um poço de escuro sentimento dentro dele? Não e bonito, mas fala como beleza, imperiosamente. Por que Motherwel tem esse poder e não Pollock, nem Van Gogh, nem Rembrandt? Será o mesmo poder que faz seu coração saltar à vista de uma mulher e não de outra? Será que ‘Homenagem a República Espanhola’ corresponde a alguma forma interna de sua alma? E a mulher que estará em seu destino? Será que a sombra dela já está guardada em seu escuro interior? Quanto tempo mais até ela se revelar? Quando se revelar, estará preparado?” (p.104) – JUVENTUDE –

J.M. COETZEE nasceu na Cidade do Cabo, na África do Sul, em 1940. Prêmio Nobel, 2003 – e, caso único – dois Book Prize, em 1983, por Vida e época de Michael K, e em 1999, por Desonra.

CRUCIAL 1951

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DEZEMBRO DE 1951

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 É a linguagem razão de equívocos? E a imagem? Conhecimento e personalidade? A resposta…

Luigi Pirandello (1867-1936)

“Pirandello é secreto. Autores há que se auto-revelam abertamente, enquanto outros, como ele, por alguma delicadeza d’alma de origem inibitória, preferem ficar nas estrelinhas ou em parênteses generalizadores, filosofias puláveis para o leitor comum, acostumado com o ficcionista comum que nada revelam entre parênteses… Mas Pirandello dizia. É preciso descer ao fundo das suas criações. Lá, escondida, talvez ainda sorrindo, mas sem possibilidade de um eco alegre está a face do dragão do Equívoco.

A vida para ele era um equívoco, reinterado equívoco. Sentira numa melancolia pavorosa, a insuportável limitação humana, a que deu conceito através das relativizações: a do conhecimento e a da personalidade. Só conhecemos segundo nós mesmos, e portando o conhecimento é cerrado, incomunicável, subjetivo; a verdade não se identifica com a realidade, é de cada um, propriamente não existe.” (…) P.H. Filho

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Nova estação

Frio  manso. Solidário, com sol. Noites de lua. Estrelas. Céu tão perto da lagoa! Confusa primavera ventosa de outono. Cheiro verde! Terra no vento! Peso das cobertas! Preguiça em cama quente. Dia curto. Noite espichada… Leitura, música. Toda vontade entra no corpo querendo mais! O frio chegou com este perfume de verão. Mistura perfeita… Hora  boa de chegar, ou de sair? Elizabeth M. B. Mattos – junho – qual ano? Torres

RASGAR escolhas

Em casa, dormindo ou folhando uma revista; penso moda, desenho. Ou leio um livro? Já preparo o café. Faço.

Se leres, faz a ficha, sublinha, aponta, pensa. Sente o prazer. Costas retas, pernas descansadas. A vida do outro presa na página… Divide. Sente. Vai ao cinema! Então, teu corpo cansado se refaz se repõe, e te responde. Inverte a vida, remexe, modifica. Recomeça. Aprofundou…

Rasga escolhas segue a procurar. Nunca estacionados… A vida se modifica na encruzilhada, na esquina, no mar, na areia da praia. Nas calçadas da Rua Padre Chagas, nos arredores dos Moinhos de Vento. Quem sabe tomar chá no Teatro São Pedro? Almoçar no Mercado Livre. Nas livrarias da Cidade Baixa encontrar o livro certo. E bebe logo, tudo de uma só vez, bebericar demora tanto! Abster-se parece impossível. Interrompo o fluxo. Entro no silêncio, e na inquieta da tua alma, o sorriso. Abre crateras: na memória do texto se modifica o sentido. Não te assusta pequena, não te esvazia, nem chora porque o tempo, aquele que passa de hora em hora, de dia em dia, enlouquece, mas se renova… Não  há conserto / jeito pra melodia… O concerto se faz  aos nossos ouvidos, nossos sentidos, nosso corpo. Mergulha neste prazer de ser outro tempo. É preciso agarrar o aqui, e agora… Se tudo já foi feito deste lado, há que seguir paro outro lado, escorregar, seguir. Vou comprar uma bicicleta, mudar pra Paquetá, desacelerar, voltar. Voltar! Quem sabe vendo pipocas.  Vou entrar nas letras pra me debruçar na janela… Vou beber vinho tinto, encorpado, comer amoras maduras, pintar as mãos de azul. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2013

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De Verdade

Um dia despertei, sentei na cama e sorri. Nada mais doía. E de súbito compreendi que não existe mulher de verdade. Nem na terra nem no céu. Não existe em lugar algum aquela. Existem apenas pessoas, e em todas há um grão da verdade, e nenhuma delas tem o que do outro nós esperamos e desejamos. Não existe pessoa completa, e não existe aquela, a única, a maravilhosa, plenamente satisfatória, excepcional. Existem apenas pessoas, e em cada pessoa existe também tudo, dejeto e luz, tudo...” (p.129)

De Verdade. Sándor Márai. Companhia das Letras, 2008.

Usar o sol

Quem eu sou, o que eu fiz? Por qual caminho? Onde? Dobro a rua e já é a Vitor Hugo. Depois o ponto de táxi de seu Tavares na rua Santos Neto, número 17. Os melhores pãezinhos de Porto Alegre! E outras gostosuras. Isto já é passado e presente. Renovação já na outra esquina… Quero cabelos fartos, braços esguios, pernas rijas, memória, beijos, afagos. Um abraço. Transgressão. Quero quebrar convenções. Rir alto, dizer o que penso, e sair por aí… Posso? Elizabeth M.B. Mattos  – abril  2013

 

Estação das cartas

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 Decifro duas frases. Abaixa a cabeça, crucifica. Bota na cruz com braços abertos. Dois protagonistas, não todos, os três,  braços abertos.  Perfurados os olhos.  Crueldade! Assim ninguém vê só escuta, ou imagina! Sabendo esquecer já assinalei, e memorizei. Escondo na caixa da Pandora, passo chave nas confissões. Explico. Não é mais ela, nem a tia, nem a irmã, nem o Francisco  nem o David. Estas pessoas  estão presas na carta. Carta. Bilhete!  Como as bonecas russas, uma dentro das outras. A história se explica. Braile, japonês, no desenho chinês, nas telas, naqueles livros escolhidos, na ópera, no piano. Ondula como a voz. Grita, desaparece, e assim, num repente de vontade volta. ..Não sei o que pode ser! Se um fio vermelho chega vermelho na outra ponta… Tricotar inverno e verão, também outono se faz azul no final, ou rosado, ou roxo, uma cor daquelas que nasce noutra cor… Uma frase. Uma única expressão chora.  Falta uma cor… Vou esquecer as cartas. Não, vou jogar. Quatro cartas pra ti, outras  quatro pra ele, mais quatro pra Luiza, mais  quatro pro Pedro, duas pra mim, e  fiquei com o coringa…

Como? Vocês também querem jogar?

Gancho de amor

Escrevo com tinta de tinteiro. Escrevo, apago, risco. Carta telegrama, código, saudade de te querer, de te esquecer. De lembrar também. No olhar desvendo, nesta percebo… Tens apenas que ler!  Na caligrafia pequena, e naquela outra, esparramada, em todas as folhas, visualizo, memorizo.  Carrega o beijo minha querida, prepara o abraço. Fecha os olhos. Compreendo.

Defino risco, escrevo. Incendeia tua generosidade.  Ondulo  a voz. Se um fio vermelho chega vermelho na outra ponta, o outono se faz azul. Sento no tapete, embaralho duas vezes: 4 cartas pra ti, outras 4 pra ele, mais 4 para a Luiza, mais 4 para o Gianfranco, duas pra mim, e terminou, fiquei com o coringa…Como? Queres jogar? Beth Mattos – abri de 2013 – Porto Alegre

 29 de julho de 1888

 “Agora você me fala do vazio que às vezes sente, e é exatamente a mesma coisa que eu sinto também. Consideremos, se você quiser, a época em que vivemos como uma grande e verdadeira renascença da arte, e a tradição carcomida e oficial que ainda está de pé, mas que no fundo é impotente e preguiçosa, os novos pintores sós, pobres, tratados como loucos, e em conseqüência deste tratamento, ficando realmente loucos ao menos quanto à vida social. Saiba então que você faz exatamente a mesma tarefa que estes pintores primitivos, pois você lhes fornece dinheiro e vende suas telas, o que lhes permite produzir outras. Se um pintor arruína seu caráter trabalhando duro na pintura, que o torna estéril para muitas coisas, para a vida familiar, etc.,etc. Se conseqüentemente, ele pinta não somente com cores, mas também com abnegação e renúncia, e com o coração partido – o seu trabalho não somente também não é pago, mas também lhe custa, exatamente como para um pintor, essa dissipação meio voluntária, meio fortuita, da personalidade. Tudo isto para lhe dizer que, se você faz pintura indiretamente, você é mais produtivo, por exemplo, que eu. Quanto mais você se tornar fatalmente marchand,mais você se tornará artista.”

Vincent Van Gogh

Cartas a Théo –  Antologia – LPM POCKET, 1999