Dardejar amoras

Agora ordeno limpo, amasso, e investigo. Os minutos destas horas se misturam em paradas estratégicas. Justifica a ausência da memória… Embora eu queira impedir este escoar, esta higiene interior insiste em voltar ao branco inicial do antigo mata borrão. Reter, guardar, conservar, não tem importância nenhuma. Batalha vencida. E Deus precisa existir, a esperança, o depois. O espírito do menino traz outras vidas portuguesas. Estou pedalando na velha bicicleta Monark, cor de vinho. Quem nos ameaça com o esquecimento? A memória de hoje fraqueja, mas o passado parece tão próximo! Sufoco e acerto: não é possível parar, passar a limpo tudo outra vez. Outra vez?! Repetidas outras vezes retomamos o tempo.  Os motivos se alternam… E algumas certezas se enraízam. O vocabulário gagueja.Tenho que voltar nas vírgulas, nos articuladores, nas conjugações. Encontro a criança que volta, insiste em entender. Explico… Espera um pouco! Elizabeth M. B.Mattos – maio de 2013 – Porto Alegre

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