Busco destroços? A vida nada mais é do que um aglomerado de pedaços… Viver é recolher estes pedacinhos do ‘quebra-cabeças’.

 O absolutamente perfeito não serve. Carece dos detalhes imperfeitos que, em verdade, tornam as coisas perfeitas.

012

História incompleta ou  inteira volta

Há quatrocentos anos, surgia, na selva africana, o primeiro grande herói das Histórias em Quadrinhos: O Fantasma. Seu nome de batismo era Kit, e ele foi o único sobrevivente de um ataque pirata ao navio de seu pai, na costa de Bengala. Tratado pelos pigmeus Bandar, Kit logo se recuperou. Certo dia, enquanto passeava pela praia, encontrou os restos de um pirata com as roupas de seu pai. Tomando do crânio descarnado, imerso em profunda dor, Kit proferiu aquele que seria o lema de toda a linhagem dos FANTASMAS a partir de então. O famoso juramento:

Juro que dedicarei toda a minha vida à tarefa de destruir a pirataria, a ganância, a crueldade e a injustiça. E meus filhos e os filhos de meus filhos me perpetuarão”.

Juramento necessário e A T U A L porque a miséria que tanto preocupa nossa política é INTERIOR.
E nos contamos repetidas histórias já escritas, traduzidas, e ainda apaixonantes… Fantasma – herói da selva e de destroços. Ou a explicativa A Bela e a Fera com amores jamais esquecidos, tomados, avolumados pela distância, intrépidos e valentes, reconstrutores… Picotados por desencontros. Esperados a cada eterno dia por um minuto fugaz…

Eros e Psique, a mais antiga versão conhecida de A Bela e a Fera, foi publicada no século II d. C. em Metamorfoses de Lúcio pelo eminente retórico Apuleio de Madaura. A história contada por uma mulher ‘bêbada e semilouca’ para uma jovem noiva raptada por bandidos no dia do seu casamento. É descrita como um conto de fadas destinado a consolar a cativa atormentada. Mas em Eros e Psique a ‘ fera’ só é fera segundo rumores, e Psique, a heroína do conto, resolve vê o conflito romântico não só mostrando compaixão, mas executando uma série de trabalhos. Complexidade, amor, aventura, audácia e histórias...”

013

 1995

Deixou-nos a vida, nessa usança que dela fizemos, pelo menos o verso da folha de papel ainda intacta, sem máculas ou letras alheias, toda aberta para nós. Para que exigir os dois lados da folha intactos se o que temos a dizer e a escrever basta em um lado apenas? Deleito-me com o verso da folha escrita. Ou posso deleitar-me se o quiser. Posso também não usar o lado ainda virgem. O nele rabiscar desenhos e traços desconexos e, em seguida amassar tudo com a mão direita e jogar no lixo, como fazem todos. Mas eu amo as sobras, o que restou dos cataclismos  os destroços abandonados. Até hoje lembro-me daquela fita da infância, do avião caindo na selva africana, e dele sobrando apenas – com vida – uma criança que os macacos irão criar e que adulto, será o Tarzan. O que me impressionava, porém, não era o Tarzan saltando pelos galhos com seu cipó fantástico ou se comunicando com macacos e chipanzés com afinidade e afeição com que tu me sussurras ao ouvido palavras de amor.
O que eu, de fato, pretendia e ansiava era encontrar naquela selva os destroços do avião dos pais do Tarzan, com alguns dos seus brinquedos envoltos em relva e verde pelo passar dos anos. Queria encontrá-los para levá-los a Tarzan, para que ele aproveitasse o que não tinha, mas ainda existia.

 O absolutamente perfeito não serve. Carece dos detalhes imperfeitos que, em verdade, tornam as coisas perfeitas.

014

Fantasma, Tarzan e A Bela e a Fera

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