Na Padre Chagas

A lembrança da Rural Aero Willys estacionada junto a cerca. Já não sei se apenas no dia de São João, na Quermesse escolar, ou aos domingos! Ou nos dias de aula regular. Ousavas. Colégio das Cônegas de Santo Agostinho, o Nossa Senhora das Graças. O tempo de estar no internato.  E das visitas,  bebericando o chá,  na sala da tua avó Celina. Conversas engraçadas, alegres. Amigos amados, escolhidos. Eu com ares de moça a controlar sentimentos. Tu  ousando. Adoro lembrar a luz daquele apartamento. Queria sempre te surpreender. Na lembrança, o carro vermelho, esporte.  Nem sei se tinhas habilitação. Ir até a beira do rio lago, o  Guaíba. Desafiar a Volta Redonda, Ipanema. Lembras dos domingos dançantes no Country Club? Algumas vezes almoçávamos. Perfeito. Um jardim de beleza, de música, e  também silêncio. Éramos poucos, e donos daquele mundo.  E tudo se transformou tão depressa!  A liberdade importa. Tua inteligência solta. Tua alegria. Despreocupado. Eu recolhida, mais tensa.  Insegura, tu cheio de autoconfiança. O dono do mundo, das máquinas! Dois mundos diferentes. Nunca atravessei o limite. Havia uma cerca? Um aviso?  Por que não me permitir experimentar? … Volto as viagens que te levaram pro mundo, pra tua geografia experimental. O teu mundo, teus sonhos. Nada se enquadra no meu acanhado jeito de ser eu. O outro lado. Sempre estavas, e estarás, do outro lado, e no meu imaginário. Mas, mesmo escondida , te espero no Café do Porto, na Listo, na rua Padre Chagas, de manhã bem cedo.

 

 

 

 

 

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