Nenhum recado, o jogo

Hoje vou pintar o cabelo, arrumar o armário, comprar aquele casaco. Hoje vou fazer uma caminhada mais longa, até ao mar. Hoje eu vou, e depois, depois afundo na cadeira, na dor nas costas, na incerteza de estar mesmo aqui e agora, sem ir. Depois volta a pontuação esdrúxula, esquisita de conversar apenas comigo mesma. Nenhum recado de volta!

Saudade das velhas cartas que abarrotavam a caixa de correio. No entanto não é o outro, mas este reflexo que gostamos… Narcisos, egocêntricos, estamos estacionados em nós mesmos. Na primeira linha. O jogo de futebol somos nós com a bola o tempo todo. Os gritos são nossos, as mãos torcidas, o descaso também. Silêncio, Imobilidade, nós. Afinal, como é mesmo participar? A cada filho sua história, a cada neto seus perigos. Ao amigo a distância. O desconhecido, curiosidade. Quero voltar a França, ir a Portugal. Quero viajar ficando. Ficando! Elizabeth M.B. Mattos – 2014 – Torres

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