Matreiro, contumaz, medroso

Timorato menino, nascido no interior do Rio Grande do Sul, região alemã, tudesco. Gentil, magro, inquieto. Dos estudos um caminho acompanhado de perto por mãe contumaz. Para o filho sonha e trabalha duro: menino de interior, o homem da capital. O pai, carrancudo, amargo, não se envolve com o sonho da mulher. Observa na distância, olhos lavados de azul. Casa modesta e limpa.  Engalanada nas festas de aniversário. Nestas ocasiões, o requinte de carnes, gastos extras. Vida de parcimônias. A economia de detalhes os transforma, a todos, em pessoas acomodadas, austeras. Preocupação, o menino Francisco. Corpo franzino, testa larga, e vontade de mudar com o mundo. Joelhos vermelhos nos calças curtas, camisa aberta, e braços suados. Já no quintal administra a comunidade cooperativa: distribuir frutas aos amigos. Distribuir jornais. Coletar papel, latas, e vender pastéis. Ríspido, seco. Resposta, arde como pimenta quente. Opina. Já o olhar, ah! o olhar é derramado nas meninas. Gosta de descrevê-las em poemas: tranças, bochechas rosadas, saias penduradas em pernas roliças. Matreiro. Escola fácil. O perigo, o curioso está na capital.

O perigo é respirar, pensar. Somos todos meninos do interior, perigosamente vivos.

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