É pra votar

Mãos sujas, amoras azuis. Manchei dedos. Lambuzei as mãos com amoras pretas, e vermelhas também. Boca cheia, satisfeita de novas, e ventosas azuis que apontam nesta lagoa do lado de cá. Misturadas pitangas, ameixas, e flores. Nesta margem estupefata, plantada, desordenada. Quatro vezes enraizada. Amarelas, azuis, engraçadas. Corticeiras torcidas, cachos pendurados.  Campo florido, amarelo, revirado. Flores se esticam ao vento. E vento carrega o corpo, pés, a passada… Avança azul nesta manhã com festa do suor que seca. Espero outubro pra votar. Aécio Neves, Marina do seringal, chega de sangue neste carnaval. Lagoa soa, buzina, conversa toda passarinhada. Os sapos também. E voam penas brancas e pretas. É setembro, eu sei.

Manchei vestido, avental, dedos, nestas amoras do quintal. Voaram pitangas, ameixas neste carnaval.

PS  Tudo isso aconteceu de manhã. Agora o vento sopra, uiva. E faz cinza.

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