Alice se explica

Faz dois dias que não durmo. Leio aos saltos, nem penso. Dou-me conta que a linearidade dos fatos não se ajusta. Percebo o prazer dos fragmentos, e a loucura de ler e escrever aos pulos: sensações, interiorização. Não se cruzam, flutuam. Insisto que este egocentrismo esquizofrênico (sem referencial e, ou, compreensão para o outro) é uma particularidade do fluir…
Não estou sozinha, mas meio ao exército desajustado, e frenético. Este mundo.
Uma experiência de pesadelo.
Excluem-se relações afetivas. Subsistem relações de trivialidade. A corrida vestida de relógio como o coelho branco de Alice.
Constata-se que o espelho é o outro, ou o outro que vemos no espelho somos nós, nós ao avesso. E, este eu nem compreendo.
“- Eu digo o que penso – apressou-se Alice a dizer. – Ou pelo menos… Pelo menos penso o que digo… é a mesma coisa, não é?
– Não é a mesma nem um pouco! – protestou o Chapeleiro. – Seria o mesmo que dizer que ‘Vejo o que como’, é o mesmo que ‘Como o que vejo´.
-Seria o mesmo que dizer – acrescentou a Lebre de março – que ‘Gosto daquilo que consigo´ é o mesmo que ‘Consigo aquilo de que gosto`.”
Lews Carrol, Alice no País das Maravilhas

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