V I O LÊNCIA

Pisoteamos, não pedimos licença, pisoteamos pretensiosos. Mesmo assim brota, enverdece, floresce caminho da grande violência. O cheiro doce de pão, ou mingau com canela, bananas ao forno?
Ausência. Ausência. O piano batido, dedilhado, ligeiro, cheio, vazio. No ar! Remediada esta dor pela música: braços e abraços. Lençóis macios, travesseiros empilhados. O estalo da lenha, os nós de pinho sangrando, escorrendo. O cheiro da cera. Os cães, os jacarandás.
Não ter a mãe, não ter o pai, ficar sentada no meio fio da calçada, não pedir licença, nem perdão. Exceder, não comer. Choramingar. Desaprender. A violência brota a cada empurrão matreiro. Peteleco corretivo. Castigo silencioso. Sem palavra, no quarto, violência. Depois o desavisado da beleza, tanto olhar, tanta cobiça! A beleza se espalha pelos ombros, ilumina pelo esverdeado olhar, dança mansa, pés pequenos, delicados. Tímido bailado de pele morena. Cobiça.

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