A história do outro

Contar histórias é tão igual, tão igual! Elas saem de um canto escuro. O buraco da alma, o escondido, o maturado lá dentro da pessoa. E chega ao outro, invade. A palavra se retorce quer aparecer em linhas, em texto, em importância. No caso de Francisco, esta importância esbarra na vaidade prepotente da inteligência. Também, na beleza. Beleza ofusca. Impede julgamento.

Meninos que saem de pequenas cidades não querem voltar. Por nada querem voltar, por pouco se deixam ficar por conta do novo poder, do risco.

E o lugar que se ocupa no espaço desta memória fica todo tomado de sonhos, de laranjas, morangos, pedras, tijolos, barro, sarjeta, asfalto, sangue, revólveres, raiva, inveja e sonhos.

“Dizemos: afinal, somos aquilo que pensamos, amamos e realizamos. E eu acrescentaria: somos aquilo que lembramos. Além dos afetos que alimentamos, a nossa riqueza são os pensamentos que pensamos, as ações que cumprimos, as lembranças que conservamos e não deixamos apagar e das quais somos o único guardião. Que nos seja permitido viver enquanto as lembranças não nos abandonarem e enquanto, de nossa parte, pudermos nos entregar a elas.”

BOBBIO, Norberto. O tempo da memória, Rio de Janeiro. Campus, 1997. (p.30)

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