O passado de frente

É preciso encarar o passado, de frente, não como um ser frágil e inocente, mas como uma pessoa inteira, independente. É preciso ver as coisas que precisa ver, e não as coisas que quer ver. Caso contrário, vai carregar o fardo para sempre…

Enquanto leva esta caixa fechada, pesada, de um lado para outro, não consegue avançar, nem começar, nem terminar. Prisioneira. A casa tem portas e janelas abertas… O passo definitivo. Avançar em direção ao portão. É a jornada… Aventura possível. No entanto, apenas colhe margaridas, corta a grama, apara arbustos, e volta para a cadeira de balanço.

Livro, música, palavra amiga. Revistas, jornais apontam inúmeras formas de viver. Intensifica-se o desejo. Contar a história? Sempre a mesma. Não se trata de inventar. E, como se sabe, no caso de histórias inventadas, os detalhes mudam cada vez que são contadas. Exagerados, ou quem contou esquece o que falou e como falou da vez anterior. É preciso encarar o passado, de frente, e sair…

Pensar livremente, em última análise, é se afastar do próprio corpo. É sair da jaula limitada chamada corpo carnal, soltar-se da corrente e fazer a lógica alçar voo de forma pura. É oferecer vida natural à lógica. É isso que está no cerne da liberdade, quando se trata de pensar.”(p.64)  O incolor Tsuku Tazaki e seus anos de peregrinação, Haruki Murakami

2 comentários sobre “O passado de frente

  1. Gostei mto d ler ” o passado d frente ” …
    O texto é mto bonito e profundo …
    Aconselho a leitura …

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