Insanidade juvenil

Escapou o que ia dizer. Esqueci. Da  história, o grito. Quero repetir, derramar o  amor. Na verdade esta conversa atravessada, cibernética, escrita, ou a vontade grande de encontrar, dar as mãos, e sair cabelo ao vento parece a melhor loucura das loucuras. Fomos atropelados pela insanidade da juventude. E nosso corpo, pobre!  esconde a vontade, mas se defende, reage rijo. Como é mesmo amar outra vez depois de tanto tempo? Será que as marcas de perigo, encontro, reencontro não serão visíveis no abraço? Que não seja definitivo, mas possível… Fico aqui pensando. Atrás da janela te espero, não pela porta que vais entrar. Voaremos. O que preciso? Que venhas, passes devagar, passo manso, pela mesma janela, pelo sonho, e voaremos. Eu volto a te espiar. Desejar. Era assim noutros tempos. Apaixonado por outras meninas, outras mulheres seguiste. Eu cruzei por outros homens.   Porque nós dois ficamos namorando sem tocar, a pensar sem dizer. Tudo se escondia. Ou voava. Que eu sinta tudo outra vez, como a manivela do realejo, a mesma música, faço para mim o exercício repetido de te pensar.

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