te procurando

SOU EU SÉRIA E BONITA SERENA

Um ônibus, o trem, e um avião. Cheguei estupefata/ aturdida investiguei varandas. No entardecer o azul, verde rosa e lilás. Esperei sem esperar. Entrei na beleza …  Bebi a timidez que me segura. Não sei onde estou. Estou onde estás. Então, meu querido, explica como vou fazer pra te deslumbrar. Corajosamente, deixei o tudo para trás …  E, covardemente, loucamente corro pra te amar sem saber onde estás. Em que esconderijo secreto e evidente vamos nos encontrar? Na Noruega? Na Suécia. Na ilha? Finlândia? Na Lapônia, ou em Israel? No mar que não conheço. Estou a tua espera. Abri a porta, entrei. Logo estarás com teus olhos nos meus olhos, e neste olhar estaremos, tu e eu, silenciosos… Tem flores naquela mesa redonda. Obrigada pela música de John Williams.

 

Não escuto na chuva

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Leituras misturadas. Hoje, agora? Tentando vencer Robert Musil, O homem sem Qualidade. Vou interrompendo, empurrando. Cada frase importa. Nenhuma frase é definitiva. Então, se tudo importa. Sufoco. Chove. Gosto muito desta chuva presença, forte. Molhada. Marguerite Yourcenar, Mishima ou A visão do Vazio. Estou lendo  Karl Ove Knausgård, lendo, lendo. Estou no meio do caminho… Estou no meio da chuva. De julho. Da miúda saudade. Da maternidade. Naquela pausa inquieta quando a vida volta, e voltando vejo o arabesco. Estamos tatuadas na memória de cada filho. Tem um livro. Tem vários livros. Tem num livro aquela coisa de contar a mesma coisa através de muitos olhos, o outro lado. O que é o outro lado? Aquele que pressentimos, mas não vemos. Ou esquecemos. Podem ser apenas quatro, ou seis olhos. E a coisa fica toda diferente. O que é sinfonia? Música. Tema. Refrão. Onde estás que não te escuto? Elizabeth M.B. Mattos – Torres

Puxa, agarra

Marguerite Yourcenar.  Vida virada, cigana. Desordem no prazer. Encontrei o pequeno Golpe de Misericórdia. Editora Nova Fronteira, segunda edição. Data de leitura, 20 de janeiro de 1984. Sim, com anotações. Às vezes me pergunto por que lemos se esquecemos… deve estar na memória… Ou penso que deva estar. Leitura pode ser assim mesmo, ou já é outra coisa, ou estudo, ou distração. De repente o livro volta.

Creio que em cada vida há períodos em que o homem existe realmente, e outros em que não passa de um aglomerado de responsabilidades, de fatigas e, para os cérebros fracos, de vaidade. ” (p.107)

“ […] ninguém escolhe os seus parceiros na vida. ” (p.99),

“ O que menos suporto é ser poupado; “ (p.72)

 “ As relações mal definidas são, aliás, quase indestrutíveis. Éramos um para o outro de uma franqueza desordenada. É preciso lembrar que a moda da época colocava a sinceridade total acima de tudo. Em vez de falarmos de amor, falávamos sobre o amor, mascarando com a ajuda das palavras uma inquietação que outro teria resolvido com atos, e da qual circunstancias não nos permitiam escapar pela fuga. ”(p.55)

“ A crueldade é um luxo de ociosos, como as drogas e as camisas de seda. Em matéria de amor sou igualmente partidário da perfeição exata. ” (p.18)

Texto precioso, duríssimo. Como disse, não lembrava de mais nada. Angústia esquisita: puxa, agarra, e não se sabe o motivo. Silêncio. Tanta memória esquecida!

Chove muito. Forte. Trovoadas. Chuva. Escrevo sem pressa. Penso. Não sei… Elizabeth M.B.Mattos – Torres – julho de 2016cropped-2016-05-04-14-32-151.jpg Vou escrever amanhã.