Lugar nenhum

Recomeço a escrever a mesma coisa que já não é … perco o fio da meada, a vontade, o assunto. Os textos somem, desaparecem. […] eu me chamo Elizabeth, como se escreve o nome da rainha da Inglaterra, da atriz americana. Por que não podia ser Maria, Ana, Lucia, ou Elisa, talvez Izabel? Os nomes carregam histórias, não nascem vazios. Eu me chamo Elizabeth e parece outra pessoa, não eu. Não é o nome que me aborrece, sou eu mesma aborrecida por dentro. O tempo se esgota, desliza. Tantas vezes enfiada nas caixas, tantas vezes procurando o lugar, o esconderijo, a caverna. Parece o bom quando chego. Limpo, lustro, arrumo, lavo, seco. Esfrego. Despejo toda energia. Brota vontade de ficar, de ficar para sempre, mas nunca é para sempre … tão absurdamente temporária a vida. Faz cara de coisa séria, se engala no olhar, abre possibilidade, e depois se arrepia, congela, se anula… E não é mais o meu espaço. Recolho meia dúzia de fotos, as caixas cheias de papel. Os livros, os copos, deixo as flores. E já estou em lugar nenhum.

20140725_094032_005

2 comentários sobre “Lugar nenhum

  1. Conheço bem o que está acontecendo,. O pensamento anda louco de vontade de vagabundear! Simplesmente vagabundear, sem hora para voltar, sem perguntas ……

  2. Alexandre: isso mesmo. O pensamento, o corpo, a energia com vontade de sair e estar no mundo. Que mundo? Não sei. Mas sigo aqui presa no papel. Obrigada por estares aí do outro lado.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s