Vaidosas e cintilantes amarras

bonito

 

Fico aqui falando comigo mesma e pensando nisso e naquilo. No que fomos/somos: um somado ao outro. Esgaçados, intensos, adolescendo em praia, sem segredo. Eu a me sentir culpada: coisa minha. Grande culpa bíblica escancarada. Tão falante e murmurante sem dizer o que importa. Deveria ter ficado ao teu lado ouvindo devagar esta alegria. E teu rosto aberto em sorriso a me espiar. Sempre apressada corri para este longe que sou eu.  E tudo que queríamos era mesmo estar/ser. Que castigo!  Não precisavas ter morrido apressado, também tu, inquieto. Por que fugiste?,  … assim neste teu mal súbito,entre um boa noite e um silêncio. Debruçada sobre mim mesma te imaginei já dormindo e me consolei no meu próprio sono. Amanhã. E não houve amanhã.  Atravessei a distância, exausta.  Eu dormi, e tu morreste. O começo amado, não o fim, não desaparecer. Não morrer. Mas os medos saíram correndo apressados, antes de mim. Correndo assuntados como se pudessem compreender o grito. E na palavra, na voz, na volta seríamos dois.

Sabíamos que não eram de amor as tuas prisões, não eram amorosas, mas apenas vaidosas e cintilantes. Elizabeth M.B. Mattos

3 comentários sobre “Vaidosas e cintilantes amarras

  1. Aquele PESCA-DOR passou uma rede de arrasto na escuridão eterna do fundo do mar, onde a luz nunca chega. E liberou do fundo arenoso um esporo de uma espécie bentônica há muito desaparecida. O esporo eclodiu e surgiu um ser bioluminescente belíssimo, estranho e surpreendente. Ele vem explorando o ambiente bem diferente daquele onde viveu no seu passado remoto. O impulso fundamental deste ser bentônico é a adaptação ao novo fundo.

    Agora aquele PESCA-DOR está apenas contemplando este novo ser, tentando compreender seus movimentos de acontecimento inesperado, O PESCA-DOR está atento ao novo ser que ilumina a escuridão abismal. Está admirando a desenvoltura com que uma MERGULHA-DOR-A vai lá no fundo daquele mundo e alimenta este ser com suas palavras transfiguradas, transitando pelas águas mais profundas do “eu” e do “tu”, circunscrevendo um “nós” absolutamente lindo e sentido.

    “A vaidade toda consiste em não ter feito. Toda, na timidez que vacilou.” (Ezra Pound, Cantares).

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