leis do desengano

Em obediência às leis do desengano, o desobediente Sabbath começou a chorar, e nem ele mesmo podia saber se o choro era uma encenação ou a expressão genuína da sua desgraça. E aí sua mãe falou pela segunda vez naquela noite  –  na cozinha,  agora, e tentando consolar o seu único filho vivo.

–Isto é a vida humana. Há uma grande dor que todo mundo tem que padecer.

Sabbath (que gostava de pensar que, desconfiando da sinceridade de todos, se mantinha um pouco prevenido em face da traição de tudo o que existe no mundo): enganei até um fantasma. Mas enquanto ele pensava isso —  sua cabeça apenas um saco de areia pesado e soluçante tombado sobre a mesa –, pensava também: ‘E, na verdade, como desejo chorar!’ “ (p.168-169)  O Teatro de Sabbath, Philip Roth Editora Companhia das Letras, tradução de  Rubens Figueiredo, São Paulo,1997.

E quando a gente pensa que tudo terminou, passou, vem aquela vontade incontrolável de chorar e a certeza de que não aconteceu, não aconteceu, não aconteceu … não aconteceu. E todos os anos de preparar o coração e o sentimento para equilibrar o corpo e a vida  um engodo,  um nada. Cai na primeira armadilha amorosa e fiquei toda machucada … Ontem não chorei, mas hoje o céu está exatamente igual a todos os dias. Então voltar para o livro de Philip Roth parece cura eficaz, mesmo enquanto choro lamento,  … e repito/penso/ e digo: “vai passar, vai passar, vai passar, … não era nada tão perfeito assim, era tudo enrolação mesmo. Vai passar …” Elizabeth M.B. Mattos, junho de 2017, Torres.

— Pois é, mas isso acabou me deixando mais perspicaz. Nunca mais consegui pensar no futuro. O que o futuro podia reservar para mim? Nunca mais pensei em termos de expectativas. Minha expectativa é como enfrentar as más notícias.

Tentar  falar de forma sensata e razoável sobre a  sua vida  pareceu ainda mais falso do que as lágrimas — cada palavra, cada sílaba era mais uma traça roendo um buraco na verdade.” (p.170) Philip Roth

Nesta costura sinto uma saudade danada do carinho, da certeza, do olhar, da voz porque nem posso sentir saudade do inteiro, o inteiro era um amontoado de histórias que envolviam tantas mulheres mal resolvidas, penduradas naquela arara no meio do quarto, penduradas,! assim elas se moviam no seu imaginário, e vez que outra trocavam de lugar, comiam em restaurantes diferentes e negociavam posições. E nós dois riamos de tudo isso. Agora, eu choro. Elizabeth M.B. Mattos Torres, junho de 2017.

 

 

 

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