está tudo fora do lugar

Relações se fazem na rede familiar escolar e vão se cruzando, e terminamos por nos reconhecer, … o meu ócio inventado me confunde. Tanto enredo de livro, tanta calçada sem passo … tanto tempo livre para me pensar que me esqueço … E vou pelo atalho, e me apresso. Ilumino uma ideia escureço a certeza. Encho de vermelho a raiva e escondo o cabelo branco, e o pudor. Um amigo diz/ explica que por viver assim sozinha, isolada eu me perco, e choro, e acabo rindo/ falando/ explicando em hora de calar. De natureza solitária sim, mas será que eu quero mesmo este silêncio todo que me cerca? Desligo o telefone. Será que eu entendo o que estão a me dizer? Atropelo/interpreto/ acelero. O gesto se agiganta e se transforma em abraço, a voz em beijo, o olhar imobiliza, o presente se agita … O toque do telefone me ensurdece. E a tua voz, aquela especifica voz que o meu imaginário espera não chega … não escuto. Não é nada como eu imagino. Droga! O chocolate me deixou imediatamente obesa. A ausência me ensandeceu. O desejo desempacotei ontem, e me deixou insone, era para ser prazer. Não escuto voz nenhuma, não vejo fantasmas, mas juro que as coisas não estão no lugar que deveriam estar. Caminham, mas não vejo. Sinto um frio danado, ontem foi primavera, e antes de ontem verão, eu queria mesmo o outono. É no outono que eu me sinto melhor. Hoje faz frio, um frio de cortar. Estou no sonho errado. Encontrei o ponto, o começo deste enredo amoroso e descabido (quando se envelhece estas histórias, ou estórias de amor tem uma qualquer coisa de ridículo, de fora do lugar). Entrei na contramão. Era texto, não passava de um escrito, de um emaranhado de ideias, um novo livro. Brincadeira literária! Quem escreve vira logo escritor, quem dança dançarino, e quem mexe com tintas pintor. Quem conversa, quer apenas conversar não quer fazer amor. Sensualidade, erotismo, desordem, espontaneidade impetuosidade que confusão! Não existe paciente sem doença, mania compulsiva de ler até o que não está escrito … Droga! Está tudo fora do lugar.

ANA LUIZA GILBERT foto de uma fechadura LINDAAAAAAAAAAAAA.jpg

Foto de Ana Cristina GILBERT

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