desafio

trilha de cogumelos

A mesma coisa já foi escrita. Exercício contínuo de acompanhar letra palavra pensamento …, quase nulo! Escrever o que vivi, aquilo que passou …, mentalmente, revisito/ percorro os anos. Não sei contar, – tanta coisa esquecida! Confundida! O tracejado de textos lidos, de livros sublinhados, anotados. Corro na memória, atravesso amados amores. Paixões inquietas. Olhar de buscar/ver/ enxergar. Nunca me aquieto.

É preciso serenidade. Aplacar saciar a menina. Investigo. Há que buscar a linha certa que desarma arma descobre o amor.

O dia se estende manso, lento … não estás comigo! Ausência prolongadaaaaaaa. Insaciável desejo de presença, … a tua. Rasgo a tarde a te procurar num não sei onde. Escurece e volta a chover, mas o sol espiou o mar.

Estás no mesmo lugar. Estás a rir do esconde-esconde. Não importa. Ah!  Já de volta! … eu te abraço, escutamos Mozart outra vez, sempre. Durmo enfiada nos teus braços. Esqueço de beber o vinho, embriagada. Como vou descrever a vida? Presente nesta ausência. Já digo/conto do sonho com minha mãe. Colorido, detalhado: eu a tomei nos braços e dançamos. Ela sorrindo… e na valsa rodopiamos. Espreguiças. Atropelo teu olhar falando falando falando, interminavelmente … Explico das pedras, dos cogumelos fotografados …  Sorrindo. Sorrindo estás.  Infindável discurso da Liza, tu pensas, mas segues a escutar. Procuro o livro que lia ainda ontem … eles se movem pulam de uma mesa para outra. Esperas. Então leio em voz alta: “Nossos desejos são ilimitados, porém sua realização é estritamente cerceada. O ‘ se pudesse’ esbarra a cada momento no ‘não pode ser’. A vida nos obriga a nos contentarmos sobriamente com o que podemos obter. Umas poucas coisas nos sãos outorgadas, muitas nos são negadas: a esperança de que algum dia ser-nos-ão concedidas é e sempre será um sonho. Um sonho paradisíaco, bem entendido: pois no paraíso, certamente aquilo que é proibido e aquilo que é permitido, tão opostos nesse mundo, não serão mais que uma coisa só. ” (p.136) Thomas Mann As Cabeças Trocadas  Edição da Livraria do Globo -1945 -,

E o texto se mistura à conversa enquanto bebemos café preto amargo o meu, doce o teu. Digo sorrindo: não sabes/conheces o gosto do café …

Já estás atrasado.

Elizabeth M.B. Mattos – Torres, 14 de outubro de 2017 –

cogumelos na beira da lagoa bonito

cogumelos no gramado

Seu rosto, que devia ter sido belo, conservara-se inteligente. Era um rosto oval com traços fortemente marcados. Os olhos eram de um azul muito profundo e resolutos. Seu olhar começava com uma nota de desafio, mas abrandava -se no que parecia um deliberado desfalecer da pupila na íris, revelando, por um instante, um temperamento de grande sensibilidade. A pupila recompunha – se rapidamente e aquela natureza, apenas revelada, recolhia -se de novo ao reino da prudência.” (p.107)  James Joyce – Dublinenses

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s