amanheci casada

No dia 9 de fevereiro eu me casei. Acho que perdemos a memória, aos poucos, ou será mesmo num repente? Perdemos quando a vida acontece neste agito … Tanta coisa na hora/ no tempo de apenas sentir a vida se aquietando. Adoro o verbo aquietar que chega do quieto, do tranquilo.

Até hoje não sabe ao certo quantas memórias perdeu Não sabe quanto dele se perdeu justamente com essas memórias. Perder memórias não é o mesmo que perder um braço – disse -me.  – Quando perdemos um braço sabemos que perdemos um braço. As pessoas olham para nós e sabem que perdemos um braço. Com as memórias, não. Não sabemos que as perdemos, ninguém dá conta, mas, como as perdemos, alguma coisa no nosso espírito deixa de funcionar. Sabe, às vezes aparecem criaturas aqui que me conhecem. Eu não me lembro delas. Finjo que me lembro, por cortesia ou para não ter de dar grandes explicações, mas não faço a menor ideia. É gente saída desses dias que eu perdi, talvez semanas, talvez meses, talvez anos, desses buracos enormes na minha memória.” (p.43)  José Eduardo Agualusa –  A Sociedade dos Sonhadores Involuntários –

Estou no conflito de agarrar, pegar de volta a memória, ou esquecer, esquecer mesmo …

3 comentários sobre “amanheci casada

  1. Ontem mesmo fui me deitar tentando lembrar da letra de Teresinha do Chico. Muito bem… Bethânia foi a escolhida por minha memória para fazer “rodar-a-fita” na mente. Eu confundia o terceiro com o primeiro e juntos não se casavam com o segundo. Muitas referências ali residem nos meus três casamentos. Agora vem você Menna linda me fazer recordar as manhãs seguintes. Uma na Asa Norte, em Brasília. Outra em Copacabana, no Rio lógico. E outra no Canadá em Lua-de-Mel. Enfim. Na sequência destas recordações fui organizando melhor a sequência de Teresinha do Chico até que não me satisfiz. Levantei-me da cama deixando meu marido dormitando feliz. Sentei-me no sofá e, armado de celular e head-phones fui conferir se minhas lembranças daquela canção precisavam de melhores ajustes. Havia trocado “bicho-de-pelúcia” por um frasco de perfume e não conseguia lembrar tudo do segundo justo o que levou-me 20 anos de vida. Mas não pude deixar de notar, ouvindo Bethânia, que a memória arraiga tudo o que faz presente. O último não teve nada trocado já que é um posseiro permanente. Ah amiga… Obrigado.

  2. Fernando, estas voltas feitas na memória abastecem o dia de hoje. E festejamos: abraçamos todos os tempos com alegria e, muito além dela, atenção e cuidado. Nossa música e a música me fez estremecer. Agradeço eu.

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